
Rio de Janeiro pode virar a casa fixa dos Brics: Paes oferece prédio icônico a Lula
Prefeito propõe transformar edifício modernista no Centro do Rio em sede permanente do bloco. Ideia pode unir diplomacia e solução de dívida com o Jockey Club.
Em uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no domingo (6/7), o prefeito Eduardo Paes apresentou uma proposta ousada: transformar um prédio histórico no Centro do Rio em sede fixa do Brics, o grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul e outros países emergentes.
O edifício em questão é a antiga sede do Jockey Club Brasileiro, um símbolo da arquitetura modernista, projetado por Lúcio Costa em 1956 e inaugurado mais de uma década depois. Apesar de sua imponência, o prédio está vazio há anos — mas pode ganhar nova vida como o “escritório oficial” do bloco internacional, que hoje não possui uma sede permanente.
O imóvel tem 12 andares, área construída de 83,5 mil metros quadrados e ocupa um quarteirão inteiro entre as avenidas Almirante Barroso e Antônio Carlos. O local também abriga um teatro e um terraço com vista de 360 graus para o Rio, reforçando o charme estratégico da proposta.
Lula gostou da ideia e disse que vai trabalhar junto ao Itamaraty para avaliar a viabilidade do projeto. Ainda nesta segunda-feira (7/7), Paes deve entregar formalmente uma carta com o convite oficial.
O documento ressalta a importância do Brics para a reformulação da governança global, o compromisso do Rio com o multilateralismo e destaca a simbologia do edifício como patrimônio arquitetônico brasileiro. Paes afirma que a cidade está preparada para abrigar os Brics “permanentemente”.
Negócio com viés diplomático e prático
Apesar de parecer uma oferta generosa, o gesto tem também uma razão prática: o imóvel pertence ao Jockey Club, que acumula dívidas com a prefeitura. A cessão do prédio poderia servir como forma de compensação dessas pendências, beneficiando tanto a cidade quanto o clube.
A proposta une interesses diplomáticos com uma solução para um problema local, numa jogada que pode consolidar o Rio como capital de grandes decisões internacionais — e ainda recuperar um ícone arquitetônico esquecido.