
Saidinha vira porta aberta para fuga e revolta população
Benefício mantido sob o governo Lula termina com quase 2 mil presos foragidos após o Natal
A chamada “saidinha” de Natal voltou a escancarar um problema antigo do sistema prisional brasileiro: o benefício que deveria servir como etapa de ressocialização termina, mais uma vez, em insegurança para a sociedade. Ao fim de 2025, cerca de 48 mil presos deixaram os presídios em todo o país, mas quase 2 mil simplesmente não voltaram.
Os dados, reunidos a partir de informações de 17 estados e do Distrito Federal, mostram que 1,9 mil detentos passaram à condição de foragidos após o encerramento do benefício. Isso representa cerca de 4% do total liberado — um número que, embora tratado como estatística, tem impacto real na vida de quem vive fora dos muros das penitenciárias.
O caso gera indignação não apenas pelo volume de fugitivos, mas pelo simbolismo do benefício mantido mesmo diante de reiterados fracassos. Sob o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a política de saídas temporárias segue sendo alvo de críticas por privilegiar presos enquanto a população paga o preço da falta de segurança.
O cenário varia entre os estados, mas alguns números chamam atenção. No Rio de Janeiro, por exemplo, 14% dos presos beneficiados não retornaram — o pior índice proporcional do país. Entre eles, há integrantes de facções criminosas e detentos considerados de alta periculosidade. Em São Paulo, o maior sistema prisional do Brasil, mais de mil presos não voltaram, concentrando quase 60% das fugas registradas nacionalmente.
Enquanto isso, cidadãos que trabalham, pagam impostos e cumprem a lei assistem à repetição de um modelo que falha ano após ano. O discurso oficial insiste na ressocialização, mas a realidade mostra que muitos beneficiados não demonstram qualquer compromisso com a Justiça ou com as regras impostas.
A legislação até passou por mudanças em 2024, com o Congresso aprovando o fim da saidinha para visitas e lazer. Ainda assim, por força constitucional e decisões políticas, milhares de presos condenados antes da alteração continuam tendo acesso ao benefício. O resultado é este: fugas, sensação de impunidade e descrédito nas instituições.
Há exceções, como o Tocantins, onde todos os presos liberados retornaram. Mas o caso isolado só reforça que o problema não é inevitável — é escolha política, gestão frouxa e insistência em um benefício que não entrega o que promete.
Diante desse quadro, cresce o repúdio não apenas aos presos que se aproveitam da saidinha para fugir, mas também a um sistema sustentado por decisões políticas que colocam os direitos de criminosos acima do direito básico da população à segurança. Ressocialização não pode ser sinônimo de permissividade, e benefício não pode virar prêmio para quem escolhe descumprir a lei.