
Sequestro milionário: terceiro policial é preso por crime contra empresário espanhol
Vítima relata ter transferido US$ 50 milhões aos sequestradores; polícia investiga a origem do dinheiro
Mais um policial foi preso nesta quinta-feira (3) por envolvimento no sequestro de um empresário espanhol na Grande São Paulo. Com isso, sobe para três o número de agentes da lei detidos pelo crime. No total, sete pessoas são investigadas, incluindo a ex-namorada da vítima.
O empresário, de 26 anos, conseguiu escapar do cativeiro no fim de semana e acionou a polícia. Segundo ele, durante o período em que esteve sob o poder dos sequestradores, foi forçado a realizar transferências bancárias que somam US$ 50 milhões (mais de R$ 280 milhões). A origem desse dinheiro agora é alvo de investigação, com suspeitas de que o espanhol possa ter praticado fraudes financeiras em outros países.
A Corregedoria da Polícia Civil efetuou a prisão de Thiago Gouveia dos Santos, que estava foragido e já tinha mandado de prisão temporária decretado. Ele é o segundo policial civil preso no caso. Outro agente, Moreno Henrix Houchat, foi detido na segunda-feira (31) e confessou sua participação no crime. Além deles, o policial militar reformado Ronaldo da Cruz Batista foi capturado no sábado (29), no próprio cativeiro onde a vítima era mantida.
Sequestro e fuga
O empresário relatou que foi abordado por dois homens vestindo uniformes da Polícia Civil e levado para o cativeiro em uma viatura oficial do Grupo de Operações Especiais (GOE) de São Bernardo do Campo. Segundo ele, Thiago Gouveia era o chefe da quadrilha. No local da prisão, a polícia encontrou uma espingarda calibre 12, algemas e remédios supostamente usados para dopá-lo.
A vítima conseguiu fugir depois de misturar seu próprio medicamento para dormir na bebida do vigilante do cativeiro. Em depoimento, revelou que foi forçado a criar contas bancárias digitais para os sequestradores, registrando inclusive o reconhecimento facial deles, antes de realizar as transferências milionárias.
A polícia agora investiga a participação de outros envolvidos e a real motivação do sequestro, incluindo a possibilidade de um acerto de contas ligado a negócios financeiros suspeitos.