
Sete chefes do Comando Vermelho são levados a presídios federais — juntos, acumulam quase 500 anos de condenação
Condenados por homicídio, tráfico e formação de quadrilha, os líderes da facção foram transferidos sob forte esquema de segurança após uma onda de ataques no Rio de Janeiro.
Sete dos principais chefes do Comando Vermelho deixaram, na manhã desta quarta-feira (12), o presídio de Bangu 1, no Complexo de Gericinó, rumo a presídios federais de segurança máxima. Juntos, eles somam quase meio milênio de penas — 427 anos, 11 meses e 17 dias de prisão — por crimes que incluem homicídio, tráfico de drogas e armas, e formação de quadrilha.
A transferência aconteceu sob forte aparato de segurança do Grupamento de Intervenção Tática (GIT), da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap). Por volta das 11h44, um avião da Polícia Federal pousou no Aeroporto do Galeão, na Ilha do Governador, e às 12h52, decolou com os criminosos a bordo.
⚠️ Estratégia para conter o poder da facção
De acordo com o governo do Rio, os sete presos fazem parte da cúpula do Comando Vermelho, e a transferência faz parte de uma estratégia nacional para isolar os chefes e enfraquecer a comunicação entre eles e os demais integrantes da facção. A decisão foi autorizada pela Vara de Execuções Penais do Tribunal de Justiça do Rio, após a série de ataques criminosos ocorridos no Grande Rio, em resposta à megaoperação policial nos complexos do Alemão e da Penha.
O Ministério da Justiça e a própria Seap solicitaram o deslocamento, argumentando que a permanência dos chefes no sistema estadual poderia estimular novos atentados e rearticular o crime organizado dentro das prisões.
👤 Quem são os transferidos e suas penas
- Alexander de Jesus Carlos, o Choque ou Coroa: 34 anos e 6 meses — atua no Complexo do Alemão.
- Arnaldo da Silva Dias, o Naldinho: 81 anos, 4 meses e 20 dias — responsável pela “caixinha” do CV em Resende.
- Carlos Vinicius Lírio da Silva, o Cabeça de Sabão: 60 anos, 4 meses e 4 dias — comanda a comunidade do Sabão, em Niterói.
- Eliezer Miranda Joaquim, o Criam: 100 anos, 10 meses e 15 dias — ligado à Baixada Fluminense.
- Fabrício de Melo de Jesus, o Bicinho: 65 anos, 8 meses e 26 dias — de Volta Redonda, integra a comissão da facção.
- Marco Antônio Pereira Firmino da Silva, o My Thor: 35 anos, 5 meses e 26 dias — do Morro Santo Amaro, também faz parte da cúpula.
- Roberto de Souza Brito, o Irmão Metralha: 50 anos, 2 meses e 20 dias — liderança no Complexo do Alemão.
✈️ Uma operação digna de cinema
O comboio que deixou Bangu foi acompanhado por agentes fortemente armados e veículos blindados. No Galeão, o clima era de tensão e precisão: tudo cronometrado, sem espaço para falhas. A decolagem marcou mais um capítulo da tentativa do Estado de retomar o controle sobre o crime organizado, ainda que, na prática, o poder das facções siga ecoando dentro e fora dos muros das prisões.