Silêncio Cúmplice: a Nota do Governo Lula Sobre o Irã Envergonha o Brasil

Silêncio Cúmplice: a Nota do Governo Lula Sobre o Irã Envergonha o Brasil

Ao tratar um massacre como burocracia diplomática, Itamaraty ignora vítimas e passa pano para um regime sanguinário

A manifestação oficial do Itamaraty diante da tragédia em curso no Irã é mais do que insuficiente — é moralmente ofensiva. Redigida de forma fria e protocolar, a nota do governo Lula soa como se estivesse comentando um desastre natural inevitável, e não a repressão brutal promovida por um regime autoritário contra o próprio povo.

Ao “lamentar as mortes” e enviar condolências às “famílias afetadas”, o governo brasileiro escolhe palavras tão genéricas quanto vazias. O termo, além de impessoal, beira o deboche diante de milhares de civis assassinados por forças estatais armadas até os dentes. Não se trata de famílias “afetadas”, mas de vítimas de um massacre promovido por uma teocracia violenta.

E é só isso. Nenhuma condenação direta, nenhuma menção à continuidade da repressão, nenhuma palavra clara sobre responsabilidade. O silêncio é ensurdecedor — e revelador.

Enquanto organizações independentes contabilizam números aterradores — mais de 2.400 mortes confirmadas por entidades de direitos humanos e estimativas que chegam a 12 mil vítimas segundo a oposição iraniana —, o governo brasileiro prefere falar em “diálogo construtivo”. Diálogo entre quem? Civis desarmados e a Guarda Revolucionária Iraniana, uma força conhecida mundialmente pela tortura, execuções e terror?

A nota ainda se permite um verniz ideológico ao afirmar que “cabe apenas aos iranianos decidir o futuro de seu país”, numa tentativa mal disfarçada de repreender pressões internacionais. O argumento ignora o óbvio: o povo iraniano está tentando decidir seu futuro — e está sendo morto por isso.

Essa complacência não é novidade. A indulgência do presidente Lula com o regime iraniano vem de longe, desde os tempos de afinidade política com Mahmoud Ahmadinejad, período marcado pelo aprofundamento do autoritarismo, pela supressão total de direitos civis e pelo antissemitismo institucionalizado.

O discurso mudou ao longo dos anos — de “resistência ao imperialismo” para “pragmatismo”, e agora para um “multilateralismo do Sul Global”. Mas a essência permanece: uma proximidade constante com regimes autoritários como Cuba, Venezuela, Nicarágua, Rússia, China e Irã. Em comum, todos tratam a democracia como ferramenta circunstancial, jamais como valor universal.

A nota do Itamaraty é vergonhosa não apenas pelo que diz, mas principalmente pelo que se recusa a dizer. Ela expõe uma diplomacia que prefere a conveniência ideológica à defesa da vida humana. Diante de um massacre, o Brasil escolheu a neutralidade — e, nesse caso, neutralidade é cumplicidade.

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