
Silêncio que Incomoda: Lula é Cobrado a Quebrar o Mutismo sobre Racismo na COP30
ONG cobra posicionamento do presidente após denúncia grave envolvendo diplomata do Itamaraty
Depois de discursar em palcos mundo afora, agora é o silêncio que colocou Lula no centro da conversa. A ONG Educafro Brasil resolveu bater à porta do Planalto e cobrar um posicionamento público do presidente sobre a denúncia de injúria racial sofrida pelo diplomata Filipe Brito Hamburgo durante a COP30.
Segundo a entidade, a falta de manifestação oficial soa estranha — e incômoda. Especialmente porque, em outros episódios recentes, Lula foi rápido no gatilho para condenar agressões, como no caso de violência contra uma mulher envolvendo um servidor da CGU. Para a Educafro, quando o assunto é racismo institucional, o microfone presidencial parece ter ficado desligado.
A ONG afirma que o problema vai além de um caso isolado. O racismo, segundo a entidade, seria um velho conhecido dentro do Itamaraty, justamente uma instituição que saiu na frente ao adotar políticas de ação afirmativa ainda nos tempos de Fernando Henrique Cardoso. O contraste entre discurso e prática, dizem, chama atenção — e preocupa.
No caso específico de Filipe Hamburgo, a cobrança é por tratamento equivalente: pronunciamento do presidente, investigação rigorosa e, se confirmadas as acusações, a possível expulsão de Thiago Medeiros da Cunha Cavalcanti, superior hierárquico acusado de agressão e ofensas raciais durante o evento internacional.
Para relembrar a sequência dos fatos: após uma discussão na COP30, Filipe registrou boletim de ocorrência no Pará relatando agressão física — que resultou em deslocamento do ombro — e comentários de cunho racista. Cerca de um mês depois, já em Brasília, ele foi afastado preventivamente por meio de um processo administrativo disciplinar. No dia seguinte, morreu.
Até agora, não há confirmação oficial de que os episódios estejam diretamente ligados. O Itamaraty afirma ter apurado a denúncia de injúria racial, nega relação entre o processo disciplinar e o desfecho trágico, mas não detalha quais medidas concretas foram adotadas. O resultado é um vazio de informações — e de respostas.
Enquanto isso, a cobrança cresce: para entidades do movimento negro, não basta discursar contra o racismo em fóruns internacionais. É preciso agir — e falar — quando o problema bate à porta de casa.