Simplicidade e brilho que deixam saudade: morre desembargador Maurício Miranda

Simplicidade e brilho que deixam saudade: morre desembargador Maurício Miranda

Jurista de referência no DF falece aos 60 anos; magistrados e promotores se emocionam com perda de ícone do Tribunal do Júri

O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) e o Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) estão de luto com a morte do desembargador Maurício Silva Miranda, aos 60 anos, ocorrida na madrugada de domingo (4/1). Segundo informações iniciais, a causa pode estar relacionada a dengue ou leptospirose, embora ainda não haja confirmação oficial.

Maurício passou as festas de fim de ano em Goiânia com a família, mas logo após o Natal começou a se sentir mal. No primeiro dia do ano, foi internado no Hospital Jacob Facuri com febre intensa e dores nas pernas. Levado à Unidade de Terapia Intensiva inconsciente, não resistiu e faleceu à meia-noite. O atestado de óbito aponta insuficiência respiratória aguda associada a pneumonia bacteriana e hepatite transinfecciosa. O velório acontece nesta segunda-feira (5/1), a partir das 8h30, no Cemitério Campo da Esperança, com sepultamento às 11h.

Nomeado desembargador em maio de 2023 pelo presidente Lula, pelo quinto constitucional do Ministério Público, Maurício Miranda será lembrado especialmente por sua trajetória como promotor no Tribunal do Júri. No MPDFT, onde atuou por mais de 30 anos, deixou marca indelével, participando de julgamentos emblemáticos que marcaram Brasília.

Conhecido como o “rei do júri”, Miranda presidiu mais de mil sessões, encantando jurados com sua oratória clara, firme e direta, sempre pautada pela empatia e pela precisão técnica. “Ele tinha uma linguagem muito direta e se conectava imediatamente com o jurado”, recorda o promotor Daniel Bernoulli, que trabalhou com ele.

Filho de agricultores, Maurício nasceu em Brasília, estudou em escolas públicas e, mais tarde, no Colégio Marista. Aos 16 anos ingressou na Universidade de Brasília (UnB) em Direito e também cursou Economia na UDF. Mestre em Direito pela Universidade Católica de Brasília (UCB), começou sua carreira como promotor em Goiás e, em 1991, ingressou no MPDFT, atuando em várias áreas até alcançar a presidência da Associação do Ministério Público do DF e Territórios (AMPDFT) nos biênios 1997/1999 e 1999/2001.

Colegas e autoridades lamentaram profundamente a perda. O governador Ibaneis Rocha destacou: “Era um excelente profissional, dedicado ao Ministério Público e ao TJDFT. Uma grande perda”. A vice-governadora Celina Leão afirmou: “Maurício era um jurista de referência, cuja trajetória inspira respeito e admiração”.

O desembargador Roberval Belinati, primeiro vice-presidente do TJDFT, lembrou: “Reconhecido como um dos maiores expoentes do Tribunal do Júri no Distrito Federal, notabilizado como tribuno de sólida formação e compromisso inabalável com a Justiça. Sempre atuou com equilíbrio e sensibilidade social”.

Amigos próximos como o procurador Chico Leite e a delegada Mabel Corrêa destacaram seu lado humano: leal, generoso, paciente e sempre disposto a defender a verdade e os direitos da população.

Maurício Miranda deixa a esposa, a advogada Andrea Miranda, e duas filhas, Rafaela e Marcela, médicas formadas, e um legado que será lembrado como exemplo de competência, integridade e humanidade no serviço público.

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