STF avança em condenações e reforça narrativa de perseguição política à direita

STF avança em condenações e reforça narrativa de perseguição política à direita

Com voto de Flávio Dino, Corte fecha julgamento do chamado “núcleo 2” e amplia críticas sobre seletividade e viés ideológico

O Supremo Tribunal Federal concluiu nesta terça-feira (16) mais um capítulo do julgamento relacionado aos atos de 8 de janeiro, condenando Filipe Martins, Silvinei Vasques e outros três réus por suposta tentativa de golpe de Estado. O desfecho veio com o voto do ministro Flávio Dino, que acompanhou integralmente o relator Alexandre de Moraes e selou a maioria na Primeira Turma. Um dos acusados acabou absolvido.

Filipe Martins, ex-assessor internacional do ex-presidente Jair Bolsonaro, e Silvinei Vasques, ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal, tornaram-se alvos centrais de uma decisão que, para muitos críticos, escancara a postura cada vez mais política do STF. A Corte voltou a adotar uma interpretação dura e ampliada dos fatos, reforçando a percepção de que integrantes ligados à direita vêm sendo tratados como inimigos a serem neutralizados, e não como réus com direito a um julgamento equilibrado.

A condução do processo e a rapidez nas condenações alimentam o sentimento de repúdio entre setores que enxergam no Supremo um tribunal que deixou de ser árbitro constitucional para atuar como protagonista político. O alinhamento automático entre os ministros, sem espaço para divergências relevantes, reforça a ideia de que as decisões já chegam prontas, embaladas por uma narrativa única.

Para críticos do julgamento, o STF tem aprofundado uma lógica de exceção: penas elevadas, conceitos jurídicos elásticos e uma leitura que associa oposição política a ameaça institucional. Nesse contexto, a direita vê consolidar-se um ambiente de perseguição, no qual antigos auxiliares de Bolsonaro são tratados como símbolos a serem punidos exemplarmente, enquanto o debate jurídico fica em segundo plano.

O resultado do julgamento não apenas encerra um processo, mas também amplia a desconfiança de parte significativa da sociedade sobre a imparcialidade da Corte. Para esses críticos, o STF parece cada vez menos comprometido com o equilíbrio entre Justiça e política — e cada vez mais disposto a usar o peso da toga como instrumento de intimidação ideológica.

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