STF barra tentativa do MPF de acessar contas da Odebrecht em Andorra

STF barra tentativa do MPF de acessar contas da Odebrecht em Andorra

Segunda Turma rejeita recurso que tentava reabrir investigação sobre movimentações financeiras da empreiteira no principado europeu

A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por maioria, negar um recurso apresentado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) que buscava permitir que o Ministério Público Federal (MPF) solicitasse informações à Odebrecht sobre contas bancárias da empresa em Andorra.

O recurso, defendido por Paulo Gonet, tentou contestar uma decisão anterior que havia arquivado o pedido do MPF para investigar essas contas, que estariam ligadas a duas offshores suspeitas de movimentar dinheiro ilícito e financiar propinas a políticos.

Após um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes, o julgamento virtual ocorreu entre os dias 6 e 16 de junho. A decisão final foi apertada: três votos contrários à reabertura do caso (Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Nunes Marques) contra dois votos favoráveis (Edson Fachin e André Mendonça).

O imbróglio gira em torno de um pedido feito pelo MPF do Paraná à Novonor — nome atual da holding Odebrecht — para que a empresa fornecesse informações sobre movimentações no Banco Privado de Andorra (BPA). O MPF acreditava que as contas poderiam estar relacionadas a esquemas ilegais de pagamento de propina, respaldados por evidências em offshores chamadas Lodore Foundation e Klienfeld Services.

Porém, em 2024, o ministro Dias Toffoli já havia barrado esse pedido, argumentando que as provas relacionadas ao caso estavam contaminadas por investigações anteriores que foram anuladas pelo STF, especialmente envolvendo os sistemas Drousys e MyWebDay, usados pela Odebrecht para gerenciar pagamentos ilegais.

Na tentativa de reverter essa decisão, Paulo Gonet sustentou que a solicitação sobre as contas em Andorra não tinha ligação com os sistemas anulados. Mesmo assim, o recurso foi rejeitado e a investigação sobre essas contas permanece encerrada.

Com isso, o Supremo dá um ponto final, pelo menos por enquanto, nas tentativas do MPF de aprofundar a apuração financeira da Odebrecht no principado europeu.

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