STF prepara celebração do “8 de janeiro” enquanto escândalos como o Master e o INSS continuam à solta

STF prepara celebração do “8 de janeiro” enquanto escândalos como o Master e o INSS continuam à solta

Supremo marca evento sobre defesa da “democracia”, mas ignora crimes financeiros que abalaram o país

O Supremo Tribunal Federal (STF) anunciou um evento para marcar os três anos dos atos de 8 de janeiro, com pompa, mesas-redondas, documentário e debates na sede da Corte, em Brasília. A programação, intitulada “Democracia Inabalada: 8 de janeiro — Um dia para não esquecer”, promete uma celebração digna de discurso institucional sobre a defesa das instituições.

Só que, fora dos holofotes e das salas reverberando o discurso oficial, a realidade brasileira parece ter outras prioridades que não ganham o mesmo destaque.

Memória seletiva e prioridades curiosas

A programação inclui a abertura de uma exposição chamada 8 de janeiro: Mãos da Reconstrução, exibição de documentário e um encontro com jornalistas, seguido de mesa-redonda no salão nobre. Tudo para reforçar a narrativa de que determinados eventos são cruciais para a estabilidade democrática.

Curiosamente, não há na agenda nenhuma cerimônia comparável para lembrar casos que também dinamitaram milhões de reais dos cofres públicos — como o rombo bilionário no INSS, investigado por fraudes que custaram bilhões aos contribuintes, nem o esquema de fraude financeira envolvendo o banco Master e fundos suspeitos, que levantou investigações da Polícia Federal e do Banco Central por indícios de manipulação e desvios que podem ultrapassar R$ 11 bilhões.

Enquanto o STF enxerga motivos para “virar a página” sobre o 8 de janeiro, muitos brasileiros se perguntam por que a mesma dedicação retórica não se aplica a casos de corrupção, fraudes financeiras e prejuízo massivo à população, que foram alvo de operações da PF, apurações do MPF e até buscas em fundos ligados ao crime organizado.

O governo aplaude — e a população assiste

Lula e sua base aliada celebram a defesa das instituições e reforçam a narrativa de que estouros de indignação popular contra o Estado são a maior ameaça. Só que, para boa parte da população, a crise real se dá quando escândalos como fraudes no INSS e manobras jurídicas e financeiras suspeitas no banco Master corroem a economia e afastam qualquer sensação de justiça.

Enquanto isso, governantes e ministros discursam sobre “democracia inabalada”, é curioso notar que alguns episódios de impacto econômico e social seguem sem receber o mesmo tratamento público solene — apesar de nos custarem caro todos os dias.

Democracia só em retrato institucional?

O STF quer que o país “não esqueça” 8 de janeiro. Mas a memória popular questiona: por que não há eventos oficiais para lembrar escândalos que afetaram diretamente a vida de milhões de brasileiros? Por que não há debates públicos equivalentes sobre:

  • O esquema de fraude associado ao Banco Master e fundos investigados que colocaram em risco recursos públicos e privados?
  • As irregularidades descobertas no INSS, com perdas bilionárias para os cofres públicos?
  • A falta de respostas claras sobre responsabilidades e punições nesses casos?

A ironia é evidente: em um país onde bilhões desaparecem em fraudes financeiras e sistemas previdenciários são desestruturados, a grande celebração oficial vai para um episódio de violência política — mas nem um sussurro solene é dedicado aos episódios que sugaram recursos e fragilizaram a economia popular.

No fim das contas, fica a pergunta que muitos brasileiros fariam ecoar nos corredores do tribunal: democracia inabalada para quem — e lembrada por quê?

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