Tarcísio defende anistia que inclua Bolsonaro, mas esbarra em resistência do STF

Tarcísio defende anistia que inclua Bolsonaro, mas esbarra em resistência do STF

Governador paulista articula medida em jantar com aliados, enquanto ministros veem ação como inconstitucional e proposta enfrenta barreiras políticas

Em jantar no Palácio dos Bandeirantes na quarta-feira à noite, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), reforçou a defesa de uma anistia que contemplaria todos os envolvidos nos atos do dia 8 de janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro. Estavam presentes o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), e o pastor Silas Malafaia.

Aliados de Tarcísio reconhecem que a ideia enfrenta forte resistência no Supremo Tribunal Federal (STF). Mesmo que o Congresso aprove a medida, a avaliação majoritária na Corte é de que a anistia seria inconstitucional.

Antes do jantar, Tarcísio se reuniu em Brasília com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para sondar a viabilidade política da proposta. O governador afirmou que a solução precisa vir da política e citou declaração recente do presidente do STF, Luís Roberto Barroso, sobre a impossibilidade de uma anistia antes do julgamento do caso: “Após o julgamento, a questão passaria a ser política, mas nunca defendi a ideia de anistia”, explicou Barroso.

No Supremo, ministros como Alexandre de Moraes reforçam que qualquer perdão poderia ferir o Estado Democrático de Direito e criticam a ideia de impunidade. Paralelamente, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), defende uma alternativa mais prática: alterar a tipificação penal para unificar os crimes ligados ao golpe, permitindo penas menores. A proposta, porém, enfrenta resistência de bancadas mais próximas a Bolsonaro, que consideram qualquer medida insuficiente se não incluir o ex-presidente.

Durante o jantar, Malafaia ressaltou que a anistia é prerrogativa do Congresso e que todos devem ser tratados de forma igualitária, enquanto Sóstenes Cavalcante deixou claro que o tema será bandeira da oposição, independentemente de uma eventual intervenção do STF.

Entre aliados de Tarcísio, cresce a percepção de que insistir na inclusão de Bolsonaro dificulta a aprovação da anistia e aumenta a resistência da Corte, ao mesmo tempo em que pressiona Hugo Motta na Câmara. No Senado, a tendência é que a proposta de Alcolumbre ganhe mais espaço.

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