
Tarcísio se defende e nega pedido ao STF por viagem de Bolsonaro aos EUA
Governador de São Paulo chama de “bobagem” acusação de que teria tentado interceder junto ao Supremo para liberar Bolsonaro após tarifaço de Trump.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), negou neste sábado (12/7) qualquer tentativa de interferência junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) para permitir que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) viajasse aos Estados Unidos. A suspeita surgiu após o início da crise diplomática provocada pela sobretaxa de 50% imposta pelo governo Trump às exportações brasileiras.
“Eu entrei com alguma petição? Fiz algum pedido formal? Isso é uma bobagem”, rebateu Tarcísio, ao ser questionado por jornalistas durante evento em Cerquilho, no interior paulista.
A acusação ganhou força após o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) protocolar uma petição no STF, pedindo a abertura de investigação contra o governador por suposta tentativa de obstrução da Justiça. Segundo Lindbergh, Tarcísio teria feito contatos diretos com ministros da Corte para interceder em favor de Bolsonaro.
A iniciativa teria ocorrido logo após a divulgação de uma carta do presidente norte-americano Donald Trump, em que ele sugere o arquivamento das ações judiciais contra o ex-presidente brasileiro.
Tarcísio alega foco em São Paulo e nega interferência
De acordo com o governador, sua única ação desde o início da crise foi se reunir com o representante da embaixada dos EUA no Brasil, buscando diálogo sobre os impactos econômicos do tarifaço. Ele reafirmou que seu compromisso é com os interesses do estado de São Paulo.
“Sou governador de um estado que tem empresas e trabalhadores que dependem dessas exportações. Minha preocupação é com os empregos e com as famílias paulistas”, declarou.
A movimentação diplomática de Tarcísio desagradou parte da base bolsonarista, que esperava que ele defendesse abertamente a anistia de Bolsonaro como moeda de troca nas negociações com os EUA. Ele, no entanto, minimizou os desentendimentos: “É uma questão de ponto de vista”.
Da crítica à união
Tarcísio de Freitas culpa governo Lula pela crise com os EUA, Tarcísio mudou o tom neste sábado e pediu uma ação conjunta para proteger o país:
“O momento pede união, não disputa política. Temos que trabalhar juntos para defender o Brasil, a indústria e o agronegócio. Agora é hora de dar as mãos”, declarou.
Por fim, o governador reforçou que não há nenhum tipo de articulação jurídica de sua parte em favor de Bolsonaro, e classificou como infundada a tentativa de associá-lo a uma suposta interferência no STF.