
Tarifaço e Tensões Globais: Lula Denuncia “Chantagem Comercial” em Reunião do Brics
Presidente brasileiro critica práticas comerciais ilegais, defende integração entre países emergentes e alerta sobre crise de governança global
Em encontro virtual nesta segunda-feira (8/9) com líderes do Brics, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que os países do bloco têm sido alvo de “chantagem tarifária” e práticas comerciais injustas. O discurso, organizado e distribuído pela assessoria do presidente, não foi transmitido ao vivo.
Lula ressaltou que a imposição de tarifas e sanções secundárias tem sido usada como instrumento de pressão, interferindo em assuntos internos e limitando a liberdade de comércio entre nações amigas. “A chantagem tarifária está sendo normalizada para conquistar mercados e interferir em questões domésticas. Dividir para conquistar virou estratégia do unilateralismo”, afirmou.
O presidente destacou ainda que a integração financeira e comercial entre os países do Brics é essencial para reduzir os impactos do protecionismo. Segundo ele, o grupo possui legitimidade para liderar uma reformulação do sistema multilateral de comércio, tornando-o mais moderno, flexível e alinhado às necessidades de desenvolvimento dos países emergentes. Lula citou o papel do Novo Banco de Desenvolvimento do Brics na diversificação econômica como exemplo dessa cooperação.
“Juntos, representamos 40% do PIB global, 26% do comércio internacional e quase metade da população mundial. Temos grandes exportadores e consumidores de energia, além de potencial para uma industrialização verde que gere empregos e renda”, afirmou o presidente.
Lula também criticou a paralisia da Organização Mundial do Comércio (OMC) e afirmou que medidas unilaterais recentes têm corroído princípios fundamentais do livre comércio, como as cláusulas de Nação Mais Favorecida e de Tratamento Nacional. “Nossos países se tornaram vítimas de práticas comerciais injustificadas e ilegais”, disse.
Durante o encontro, o presidente chinês Xi Jinping destacou a criação da Iniciativa de Governança Global (IGG), uma proposta que pode servir como base para uma nova ordem mundial, enquanto Lula abordou ainda o “fracasso” global na resolução de conflitos, mencionando guerras e genocídios, como os casos da Ucrânia e da Faixa de Gaza. “Quando o princípio da igualdade soberana deixa de ser respeitado, a ingerência em assuntos internos se torna prática comum e a paz dá lugar à guerra”, alertou.