
Tensão na Câmara: Célia Xakriabá e Kim Kataguiri se enfrentam em votação sobre licenciamento ambiental
Discussão acalorada durante votação de projeto que facilita licenças ambientais termina com intervenção da Polícia Legislativa
A sessão na Câmara dos Deputados que discutia a flexibilização do licenciamento ambiental na última terça-feira virou palco de um confronto entre Célia Xakriabá (PSOL-MG) e Kim Kataguiri (União-SP). A polêmica proposta, que segue agora para sanção presidencial, pretende criar sete modalidades diferentes de licenças ambientais, tornando o processo mais ágil — mas despertando críticas entre parlamentares, inclusive dentro da base governista.
A troca de farpas começou quando Kataguiri provocou Célia ao comentar seu cocar, dizendo que ela fazia um “cosplay de pavão”. Em resposta, Célia chamou o colega de “deputado estrangeiro” e “reborn”, deixando o clima ainda mais pesado. A discussão foi crescendo até o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), precisar chamar a Polícia Legislativa para acalmar os ânimos.
Visivelmente emocionada, Célia foi acompanhada para fora do plenário, onde foi amparada pelos colegas Glauber Braga e Jandira Feghali. A tensão na Casa deixou claro o quanto a pauta ambiental ainda mexe com os ânimos e divide os parlamentares.
O que mudou no licenciamento ambiental?
O projeto, que teve seu início em 2004, foi destravado neste ano após acordo entre o Senado e a bancada ruralista. A principal mudança é a criação da chamada Licença Ambiental Especial (LAE), que permite que empreendimentos considerados estratégicos pelo governo possam obter licenças com menos burocracia, mesmo quando apresentam riscos ambientais consideráveis.
Enquanto o Ibama continua responsável pela emissão dessas licenças especiais, o governo poderá definir quais projetos têm prioridade na fila de análises. Por outro lado, estados e municípios seguem encarregados das licenças para empreendimentos locais, incluindo a classificação de risco.
Entre os pontos mais controversos, está a flexibilização para mineradoras de alto risco e a retirada da necessidade do Ibama autorizar desmatamento na Mata Atlântica. A proposta também limita o poder de lideranças indígenas e quilombolas de paralisar obras fora de áreas demarcadas, o que gerou resistência dentro do governo.