
Toffoli admite sociedade ligada a negócio com grupo de Vorcaro, mas nega amizade e qualquer irregularidade
Relatório da PF aumenta desconfiança e coloca ministro sob pressão no caso Master
O ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, confirmou ser sócio de uma empresa que realizou transações com um fundo de investimentos vinculado ao entorno familiar do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Ao mesmo tempo, negou manter amizade com o empresário e afirmou que jamais recebeu valores diretamente dele.
A declaração veio após a Polícia Federal entregar ao STF um relatório citando menções ao nome do ministro encontradas no celular de Vorcaro — incluindo registros de diálogos entre os dois.
O episódio aprofunda a crise de confiança em torno do caso Master e levanta questionamentos sobre a proximidade entre figuras centrais da investigação.
💰 Negócios cruzados e repasses declarados
Toffoli é sócio da empresa Maridt, administrada por seus irmãos e que possuía participação em resorts da rede Tayayá, no Paraná. Essa empresa vendeu sua fatia no empreendimento a fundos de investimento que tinham entre os envolvidos o pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro.
Segundo reportagens, o fundo chegou a investir cerca de R$ 20 milhões nas empresas ligadas ao resort.
O ministro afirmou, em nota, que apenas integra o quadro societário, sem exercer função de gestão, e que recebeu dividendos regularmente declarados à Receita Federal. Argumentou ainda que a Lei Orgânica da Magistratura permite que juízes sejam sócios de empresas, desde que não atuem na administração.
Formalmente, tudo teria ocorrido dentro da legalidade — segundo sua versão.
📞 Diálogos e negativa de proximidade
Apesar da existência de conversas registradas entre Toffoli e Vorcaro, o ministro declarou que não possui relação de amizade com o banqueiro e que “jamais recebeu qualquer valor” dele ou de seu cunhado.
Também afirmou desconhecer o gestor do fundo que negociou com a empresa da qual é sócio.
As explicações, no entanto, não têm sido suficientes para dissipar as dúvidas. Quando um magistrado da mais alta Corte do país aparece citado em conversas de um investigado e possui ligação societária indireta com negócios que orbitam o mesmo grupo, a desconfiança é inevitável.
🏛️ Legalidade não elimina desgaste
Ainda que Toffoli sustente que todas as operações foram declaradas e realizadas a valor de mercado, o debate vai além do aspecto técnico.
A questão central é a imagem de imparcialidade.
Ministros do Supremo não precisam apenas agir dentro da lei — precisam parecer absolutamente distantes de qualquer situação que possa gerar conflito de interesses.
O fato de o ministro continuar frequentando o resort, mesmo após as mudanças societárias, também alimenta críticas e amplia o desconforto público.
🚨 Vai negar tudo — mas a pressão cresce
A tendência, segundo interlocutores, é que Toffoli mantenha sua posição, negando qualquer irregularidade e resistindo a pedidos de afastamento da relatoria do caso Master.
Mas o desgaste já está instalado.
Num momento em que a confiança nas instituições é constantemente testada, explicações formais podem não ser suficientes para convencer uma sociedade que observa com lupa cada detalhe envolvendo o Supremo Tribunal Federal.
O caso agora está nas mãos da própria Corte — e a decisão que vier poderá definir não apenas os rumos do processo, mas o nível de credibilidade que o STF conseguirá preservar diante dessa nova turbulência.