Trump aciona a “Lança do Sul”: operação militar reacende tensão no Caribe

Trump aciona a “Lança do Sul”: operação militar reacende tensão no Caribe

Com discurso de combate ao narcotráfico, Washington reforça presença de guerra perto da Venezuela e eleva pressão sobre o regime de Maduro.

O governo de Donald Trump voltou a subir o tom na região. Nesta quinta-feira (13), o secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, anunciou a operação “Lança do Sul”, apresentada como uma ofensiva para enfrentar “narcoterroristas” e impedir que drogas cheguem ao território americano. A ação, porém, ecoa como mais um movimento na crescente disputa de força com a Venezuela.

Sem detalhar exatamente onde ocorrerá a operação, Hegseth afirmou que ela será conduzida em parceria com o Comando Militar do Sul, responsável por atividades no Caribe e na América Latina. Nos últimos meses, Washington vem aumentando a circulação de navios e aeronaves militares perto da costa venezuelana — um avanço que Caracas descreve como um claro sinal de preparação para uma possível invasão.

Em uma publicação na rede X, Hegseth reforçou o discurso de proteção do hemisfério Ocidental, chamando-o de “vizinhança da América”. Segundo ele, a missão terá o papel de remover grupos criminosos e “defender a pátria”.

Uma operação que já vinha sendo desenhada

Em janeiro, o próprio Comando Sul havia divulgado um comunicado mencionando uma operação com o mesmo nome, focada no uso de sistemas robóticos para detectar e monitorar atividades de tráfico. O anúncio desta semana, porém, ocorre em um cenário militar muito mais robusto.

USS Gerald Ford no Caribe: o recado de Washington

A Marinha americana informou recentemente a chegada do USS Gerald R. Ford, o maior porta-aviões do mundo, à área de operações na América Latina. O navio se junta a uma ampla frota que inclui destróieres, caças, helicópteros e até bombardeiros. O objetivo declarado é desarticular organizações criminosas transnacionais — mas o reforço é visto como um aviso direto ao governo Maduro.

Em dois meses, os EUA atacaram mais de 20 embarcações no Caribe e no Pacífico, em ações que deixaram mais de 70 mortos. De acordo com o comando militar, todos os alvos teriam ligação com grupos narcoterroristas.

Maduro na mira

Os ataques começaram pouco depois de Washington dobrar para US$ 50 milhões a recompensa por informações que levem à prisão ou condenação do presidente venezuelano. Os EUA acusam Maduro de chefiar o Cartel de los Soles, classificado como organização terrorista internacional — e, neste cenário, autoridades americanas já consideram o presidente um alvo legítimo de operações militares contra cartéis.

Segundo a revista The Atlantic, Maduro estaria cogitando negociar sua saída do poder — desde que obtivesse anistia e garantias de segurança para viver no exílio.

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