Trump aposta em acordo de paz entre Rússia e Ucrânia antes da cúpula do Alasca

Trump aposta em acordo de paz entre Rússia e Ucrânia antes da cúpula do Alasca

Presidente dos EUA sugere que Putin estaria disposto a negociar, enquanto Zelenski e aliados temem redefinição de fronteiras sem sua participação

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (14) que acredita que Vladimir Putin, presidente da Rússia, estaria pronto para fechar um acordo de paz com a Ucrânia. A declaração, feita à Fox News Radio, antecede o encontro entre os dois líderes, marcado para sexta-feira (15) no Alasca.

“Creio que ele está convencido de que vai fechar um acordo. Ele vai fechar um acordo. Acho que vamos descobrir isso em breve”, disse Trump durante o programa The Brian Kilmeade Show.

O republicano, no entanto, ressaltou que somente uma cúpula trilateral, com a presença do presidente ucraniano, Volodmir Zelenski, poderia efetivamente selar um acordo de paz envolvendo a divisão de territórios.

Segundo Trump, a reunião com Putin serve como preparação para essa segunda etapa, embora exista cerca de 25% de chance de insucesso. A preocupação de Kiev e de seus aliados europeus é que, sem a participação de Zelenski, Rússia e EUA possam começar a redesenhar o mapa ucraniano unilateralmente.

“A segunda reunião será decisiva. Não gosto da palavra ‘repartir’, mas haverá discussões sobre fronteiras e territórios”, afirmou Trump.

Nesta quinta, Putin elogiou os esforços americanos para encerrar as hostilidades, resolver a crise e alcançar acordos que satisfaçam todas as partes envolvidas. Enquanto isso, Marco Rubio, chefe da diplomacia americana, destacou a necessidade de discutir garantias de segurança para pôr fim à guerra iniciada em 2022 com a invasão russa.

O presidente ucraniano não foi convidado para o encontro “cara a cara” entre Trump e Putin, realizado na base aérea de Elmendorf-Richardson, e foi recebido em Londres pelo primeiro-ministro britânico, Keir Starmer. Segundo o assessor diplomático do Kremlin, Yuri Ushakov, a reunião terá intérpretes e foco principal na crise ucraniana e na cooperação bilateral.

No campo de batalha, a situação continua tensa. As tropas ucranianas enfrentaram avanços rápidos do exército russo na região leste de Donetsk, onde Moscou reivindicou a conquista de dois territórios. Além disso, ataques com drones ucranianos provocaram um incêndio em uma refinaria no sul da Rússia, deixando três feridos.

As exigências russas incluem a cessão de quatro regiões parcialmente ocupadas (Donetsk, Luhansk, Zaporizhzhia e Kherson), além da Crimeia, anexada em 2014, e a interrupção do fornecimento de armas ocidentais e do projeto de adesão à Otan. Para Kiev, essas demandas são inaceitáveis.

Até agora, as negociações – incluindo a última rodada em Istambul, em julho – resultaram apenas na troca de prisioneiros, com 84 capturados de cada lado sendo liberados nesta quinta-feira.

Compartilhe nas suas redes sociais
Categorias
Tags