
Trump confirma convite a Putin e dá início ao polêmico “Conselho da Paz”
Presidente dos EUA pretende reunir líderes mundiais em órgão próprio, com poderes amplos e autonomia total
Donald Trump confirmou que convidou o presidente russo, Vladimir Putin, para integrar o chamado “Conselho da Paz”, uma iniciativa que o governo americano apresenta como um esforço para “promover a estabilidade global”. A declaração foi feita a repórteres na Flórida, onde Trump afirmou: “Sim, ele foi convidado”.
O Conselho, presidido pelo próprio Trump, já estendeu convites a outros líderes internacionais, incluindo o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, e o primeiro-ministro canadense, Mark Carney. A participação dos países no conselho seria inicialmente de três anos, com possibilidade de extensão mediante pagamento de mais de US$ 1 bilhão no primeiro ano, conforme o documento fundador obtido pela AFP.
Segundo o preâmbulo do estatuto do Conselho, o órgão busca oferecer uma alternativa “mais ágil e eficaz” às instituições internacionais tradicionais, como a ONU, criticadas por institucionalizar crises em vez de promover soluções duradouras. Trump será o presidente do Conselho, com autoridade para convidar, expulsar ou manter países membros, além de criar ou dissolver entidades ligadas ao conselho e ter a palavra final sobre interpretação de suas regras.
O Conselho da Paz, inicialmente pensado para supervisionar a reconstrução de Gaza, agora tem escopo mais amplo. Isso gerou reação imediata de aliados dos EUA. França e Canadá declararam que não participariam por entender que os objetivos do Conselho extrapolam o território palestino e conflitam com compromissos internacionais assumidos junto à ONU.
Para pressionar aliados a aderirem, Trump chegou a ameaçar tarifas de 200% sobre vinhos e champanhes franceses. A medida, no entanto, foi rejeitada publicamente pelo governo de Emmanuel Macron como “ineficaz e inaceitável”.
Além de Putin, a China também recebeu convite, mas ainda não confirmou participação. Outros nomes do Conselho incluem Marco Rubio, secretário de Estado americano; Tony Blair, ex-primeiro-ministro britânico; Jared Kushner, genro de Trump; e Steve Witkoff, seu principal negociador de conflitos.
A iniciativa, que desafia normas internacionais consolidadas, reforça a postura de Trump de criar estruturas paralelas às instituições globais, projetando os Estados Unidos como autoridade máxima em negociações de paz, segundo sua visão de política externa.