Trump formaliza tarifa global de 10% e desafia freios da Suprema Corte

Trump formaliza tarifa global de 10% e desafia freios da Suprema Corte

Presidente dos EUA assina ordem executiva, muda base legal e promete endurecer política comercial contra todos os países

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, oficializou nesta sexta-feira (20) a assinatura de uma ordem executiva que cria uma tarifa global de 10% sobre produtos de todos os países. A medida, segundo ele, começa a valer quase imediatamente, cumprindo uma promessa anunciada horas antes.

Em publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que assinou o decreto diretamente do Salão Oval e classificou o ato como uma “grande honra”. A nova tarifa, de acordo com o presidente, entra em vigor em até três dias e deve permanecer válida por cerca de cinco meses.

A decisão veio logo após a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubar o uso de uma legislação emergencial que havia sustentado tarifas anteriores. Para contornar a derrota judicial, Trump optou por outro caminho legal, apoiando-se na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, que permite a imposição temporária de tarifas para enfrentar desequilíbrios no balanço de pagamentos.

Durante entrevista coletiva, o presidente deixou claro que a nova taxa será cumulativa, ou seja, aplicada além das tarifas já existentes, e não como substituição. Na prática, isso abre espaço para um impacto maior sobre importações e parceiros comerciais dos Estados Unidos.

Trump também minimizou o alcance da decisão da Suprema Corte, alegando que o tribunal não teria anulado as tarifas em si, mas apenas uma das formas usadas para aplicá-las. Segundo ele, o julgamento acabou “consolidando” seus poderes ao indicar outros instrumentos legais disponíveis ao Executivo. “Agora estou indo por um caminho diferente — e mais forte”, disse, sinalizando que pode elevar ainda mais as cobranças com base em outros dispositivos da legislação comercial americana.

Além do aspecto técnico, a reação política foi dura. Trump atacou diretamente a Suprema Corte, acusando-a de agir sob influência de interesses estrangeiros e afirmando que outros países estariam “comemorando” a decisão — ainda que, segundo ele, por pouco tempo.

O episódio reforça o padrão já conhecido do republicano: quando enfrenta limites institucionais, responde com retórica agressiva e busca novas brechas legais para avançar. A tarifa global de 10% marca mais um capítulo dessa estratégia, que tende a aumentar tensões comerciais e reacender debates sobre os limites do poder presidencial nos Estados Unidos.

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