
Trump Impõe Tarifaço e Brasil Entra na Mira: Tensão Comercial em Alta
Medida pode afetar exportações brasileiras e governo estuda retaliação
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, oficializou nesta quarta-feira (2) um novo pacote de tarifas sobre produtos importados, conhecido como “tarifaço global”. A decisão, justificada como uma forma de corrigir práticas comerciais consideradas desleais, pode afetar diretamente o Brasil, que já enfrenta taxações em setores estratégicos como aço e alumínio.
A medida é um dos pilares da campanha de Trump e foi batizada de “Dia da Libertação”, sob a promessa de fortalecer a indústria norte-americana e reduzir a dependência de importações. Um dos principais pontos da política tarifária é a adoção de taxas recíprocas, ou seja, os EUA passarão a cobrar tarifas equivalentes às que seus produtos enfrentam em mercados estrangeiros.
Impacto para o Brasil e reação do governo
Entre os setores brasileiros mais vulneráveis ao novo tarifaço estão a siderurgia e o agronegócio. O etanol, por exemplo, já foi citado como alvo potencial, pois os EUA aplicam uma taxa de 2,5% sobre o produto importado, enquanto o Brasil impõe uma tarifa de 18% sobre o etanol norte-americano.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a decisão de Trump e anunciou que recorrerá à Organização Mundial do Comércio (OMC) para contestar as tarifas. Caso a diplomacia não resolva a questão, o governo brasileiro considera retaliar com novas taxações sobre produtos dos EUA.
No Congresso, parlamentares também se mobilizam contra o tarifaço. O Senado aprovou nesta terça-feira (1) o Projeto de Lei da Reciprocidade Econômica, que autoriza o Brasil a revidar barreiras comerciais impostas por outros países. O texto agora segue para análise da Câmara dos Deputados.
A proposta prevê medidas como:
✅ Aplicação de taxas extras sobre bens e serviços vindos de países que dificultam o comércio com o Brasil;
✅ Suspensão da concessão de patentes e royalties para empresas estrangeiras;
✅ Revisão de compromissos assumidos pelo Brasil em acordos comerciais internacionais.
O senador Zequinha Marinho (Podemos-PA), autor da iniciativa, justificou que o país não pode ser passivo diante das restrições comerciais. “Se impõem barreiras contra nós, precisamos responder à altura”, afirmou.
Reações internacionais: aliados também se voltam contra Trump
O tarifaço de Trump gerou repercussões em todo o mundo. Líderes de países tradicionalmente aliados dos EUA se manifestaram contra a decisão e estudam contramedidas:
🔹 Canadá: O primeiro-ministro Mark Carney declarou que as tarifas prejudicam a parceria entre os dois países e prometeu responder com medidas equivalentes. “Essa antiga relação comercial acabou”, disse.
🔹 México: A presidente Claudia Sheinbaum evitou falar em retaliação, mas defendeu a proteção dos empregos mexicanos. “Precisamos encontrar um caminho que beneficie o México sem entrar em um ciclo de represálias”, afirmou.
🔹 China: O governo chinês condenou a medida e alertou para um possível impacto negativo na economia global. “Não há vencedores em guerras comerciais”, declarou o Ministério das Relações Exteriores.
🔹 União Europeia: A Comissão Europeia classificou o tarifaço como prejudicial ao comércio global e anunciou possíveis retaliações de até € 26 bilhões (cerca de R$ 160 bilhões) contra produtos norte-americanos. O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que a decisão de Trump pode causar inflação e desemprego na Europa.
Diante da escalada de tensão, diplomatas brasileiros foram enviados a Washington para tentar negociar isenções para setores estratégicos. Além disso, o governo brasileiro busca fortalecer acordos comerciais com outros países para reduzir a dependência do mercado norte-americano.
A guerra tarifária está apenas começando e seus impactos ainda são incertos, mas uma coisa é certa: o Brasil e o mundo terão que se preparar para um novo capítulo de turbulência no comércio internacional.