Trump mira Powell e dispara: “Não manda bem nem nos juros, nem na obra”

Trump mira Powell e dispara: “Não manda bem nem nos juros, nem na obra”

Presidente ironiza chefe do Fed enquanto investigação apura reforma bilionária e tensão sacode o mercado

Donald Trump resolveu misturar economia com engenharia — e sobrou para Jerome Powell. Nesta segunda-feira (12/1), o presidente dos Estados Unidos afirmou que não tem qualquer ligação com a investigação aberta contra o chefe do Federal Reserve, mas aproveitou o microfone para alfinetar o rival público com seu estilo já conhecido: direto, ácido e nada diplomático.

A investigação, conduzida pela Procuradoria dos EUA no Distrito de Columbia, quer saber se Powell enganou o Congresso ao falar sobre os custos da reforma da sede do Fed, em Washington. A obra, nada modesta, está estimada em US$ 2,5 bilhões — valor que chamou mais atenção do que aumento de juros em ano eleitoral.

Trump no modo ironia

Questionado sobre o caso, Trump se fez de desentendido, mas não perdeu a chance de provocar:

“Não sei nada sobre isso. Mas ele certamente não é muito bom no Fed. E também não é muito bom em construir prédios”, disparou em entrevista à NBC.

A fala caiu como gasolina no fogo de uma relação já estremecida. Desde o início de seu segundo mandato, Trump critica Powell por não cortar os juros no ritmo que ele gostaria — ainda que o Fed tenha promovido três reduções consecutivas no segundo semestre do ano passado.

Powell reage e vê retaliação

Do outro lado do ringue, Powell divulgou um comunicado duro. Para ele, a investigação tem cheiro de retaliação política. Segundo o presidente do Fed, a pressão seria uma resposta direta ao fato de o banco central insistir em tomar decisões técnicas, e não políticas.

“A questão é se o Fed continuará definindo juros com base em evidências econômicas ou se passará a agir sob intimidação”, afirmou Powell, em tom nada amistoso.

Mesmo sob críticas, o Fed cortou os juros em dezembro em 0,25 ponto percentual, levando a taxa para o intervalo entre 3,5% e 3,75% ao ano. A decisão, porém, não foi unânime e expôs divisões internas — inclusive com um indicado de Trump defendendo um corte maior.

Mercado nervoso e corrida por segurança

A troca de farpas deixou investidores inquietos. Com o temor de interferência política na independência do Fed, o mercado correu para ativos considerados mais seguros. Ouro e prata bateram novos recordes históricos, mostrando que, quando Washington esquenta, o dinheiro procura abrigo.

Quem vem depois de Powell?

O mandato de Jerome Powell termina em maio, e caberá a Trump escolher o sucessor. Entre os nomes cotados estão integrantes do próprio Fed, ex-diretores e até figurões do mercado financeiro.

Até lá, o clima segue tenso: juros no centro do debate, uma obra bilionária sob investigação e um presidente que não perde a chance de provocar. No governo Trump, até reforma predial vira munição política.

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