Trump perde a paciência com Israel e Irã após fracasso em cessar-fogo improvisado

Trump perde a paciência com Israel e Irã após fracasso em cessar-fogo improvisado

Presidente americano anuncia trégua sem coordenação, critica aliados e adversários e diz que “ninguém sabe o que está fazendo”

Em mais um episódio turbulento de sua política externa, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, subiu o tom contra dois polos opostos do Oriente Médio — Israel, seu maior aliado, e Irã, seu principal inimigo — após o fracasso de um cessar-fogo que ele próprio anunciou de forma unilateral e sem coordenação prévia.

A trégua, que deveria ter começado com a suspensão de ataques por parte do Irã, seguida por uma resposta similar de Israel após 12 horas, foi anunciada por Trump na noite de segunda-feira (23), pegando até membros de seu próprio governo de surpresa. Mesmo autoridades americanas disseram não saber dos detalhes. Ainda assim, Trump usou as redes sociais e entrevistas para responsabilizar diretamente os dois países pelo descumprimento imediato do acordo.

— São dois países que brigam há tanto tempo e com tanta intensidade que já não fazem ideia do que estão fazendo — disparou o republicano nesta terça-feira, antes de embarcar para a cúpula da Otan em Haia.

A fala, recheada de frustração e até palavrões, chamou a atenção da imprensa que cobre a Casa Branca, por destoar do estilo frio e calculista que Trump tenta adotar em assuntos diplomáticos. Segundo analistas, ele estaria irritado por ver escapar uma possível vitória simbólica que pretendia apresentar como marco após fracassos anteriores nas negociações em Gaza e na Ucrânia.

“Israel, tragam seus pilotos de volta”

Em postagens na Truth Social, Trump demonstrou indignação particular com Israel, acusando o país de atacar o Irã mesmo após aceitar o cessar-fogo. Em letras maiúsculas, escreveu:

“ISRAEL. NÃO LANCEM ESSAS BOMBAS. SE FIZEREM, É UMA GRANDE VIOLAÇÃO. TRAGAM SEUS PILOTOS PARA CASA, AGORA! DONALD J. TRUMP, PRESIDENTE DOS ESTADOS UNIDOS”

Pouco depois, publicou nova mensagem afirmando que todos os aviões israelenses fariam um “amigável aceno” para o Irã antes de retornarem às suas bases, garantindo que o cessar-fogo estava valendo e ninguém se feriria.

Trégua improvisada gera confusão

O cessar-fogo, segundo a Casa Branca, teria sido articulado às pressas após dois dias de trocas de ataques entre Irã, Israel e forças americanas. A decisão partiu diretamente de Trump, com apoio de nomes próximos como o vice-presidente JD Vance, o secretário de Estado Marco Rubio e o enviado especial Steve Witkoff. O Catar também teria participado das conversas.

Mesmo assim, o anúncio pegou os envolvidos de surpresa. Inicialmente, tanto Israel quanto Irã negaram qualquer acordo. Apenas horas depois, ambos os governos divulgaram comunicados reconhecendo a trégua — mas em tons distintos. Teerã afirmou ter “imposto o cessar-fogo” a Israel, enquanto o governo Netanyahu disse ter concordado com os termos dos EUA após “remover a ameaça imediata de um Irã nuclear”.

Telefonema em pleno voo

Logo após decolar rumo à Europa a bordo do Air Force One, Trump telefonou diretamente para Netanyahu, ordenando que aviões israelenses recuassem imediatamente. Um alto funcionário do governo disse ao New York Times que o presidente foi “duro e direto” com o premiê israelense, insistindo na necessidade de manter a trégua a qualquer custo.

— O primeiro-ministro entendeu a gravidade da situação e as preocupações do presidente — declarou a fonte sob anonimato.

Enquanto isso, crescem as críticas à condução improvisada do cessar-fogo, marcada por ruídos de comunicação, mensagens contraditórias e falta de coordenação real. Para Trump, no entanto, o objetivo segue claro: evitar uma escalada que comprometa ainda mais sua imagem às vésperas da eleição.

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