
Trump promete Coca-Cola com açúcar de cana nos EUA, mas empresa silencia
Presidente americano diz que vai trocar o xarope de milho por açúcar brasileiro nos refrigerantes, chamando a mudança de “melhor para todos”; Coca-Cola não confirma plan
Em mais uma de suas declarações que movimentam mercados e redes sociais, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a Coca-Cola passará a usar açúcar de cana – em vez do tradicional xarope de milho – nos refrigerantes vendidos no país. A mudança, segundo ele, seria “simplesmente melhor” tanto para o sabor quanto para a saúde dos consumidores. No entanto, a empresa até agora não confirmou qualquer alteração em sua fórmula.
A fala de Trump ocorreu durante um evento público nesta quinta-feira (17), onde o presidente exaltou o açúcar de cana como um produto superior e disse que a Coca-Cola “finalmente entendeu isso”. A afirmação repercutiu rapidamente, especialmente no Brasil, onde o setor sucroalcooleiro viu na declaração um possível impulso às exportações.
Apesar do entusiasmo de Trump, a Coca-Cola preferiu manter silêncio sobre o tema. Procurada pela imprensa, a companhia não confirmou nem negou a substituição do xarope de milho com alto teor de frutose, ingrediente comum nos Estados Unidos por ser mais barato.
Entre o marketing e a política
A fala de Trump não acontece por acaso. A troca do xarope pelo açúcar de cana pode ser interpretada também como um gesto estratégico em meio à recente tensão comercial entre Brasil e EUA, especialmente após o anúncio de tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros. Com o governo brasileiro reagindo com tributos sobre empresas digitais americanas, Trump tenta sinalizar algum espaço de negociação – ainda que, até o momento, seja mais discurso do que ação.
Especialistas em comércio e saúde pública lembram que a substituição teria impactos em diferentes frentes: desde a cadeia de suprimentos agrícola nos EUA até o custo final dos produtos. Ainda assim, muitos consumidores comemoraram a possibilidade de um “gosto mais original” nos refrigerantes, semelhante ao das versões brasileiras.
Brasil observa de perto
No Brasil, a notícia caiu como uma surpresa positiva para o setor do agronegócio. Exportadores de açúcar veem com bons olhos a possível demanda americana, embora com cautela. “É preciso ver se isso vai sair do discurso e virar uma política real”, disse um representante da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).
Por enquanto, fica a dúvida: foi apenas mais uma jogada de marketing político de Trump ou há, de fato, algo fermentando nos bastidores da Coca-Cola?
Seja qual for a resposta, o refrigerante mais famoso do mundo agora também está no centro da guerra comercial e das ambições eleitorais do ex-presidente americano.