
Trump propõe uso de mísseis dos EUA contra cartéis e lança aliança de 17 países nas Américas
Durante encontro com líderes latino-americanos na Flórida, presidente dos Estados Unidos defende ações militares contra o narcotráfico e promete apoio direto de Washington.
Trump propõe ofensiva militar contra cartéis de drogas
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a causar repercussão internacional ao sugerir que países da América Latina utilizem força militar direta para combater cartéis do narcotráfico. A declaração foi feita durante uma reunião com líderes da região realizada em seu clube de golfe em Doral, Flórida, próximo a Miami.
Durante o encontro, Trump afirmou que os Estados Unidos estariam dispostos a ajudar os aliados utilizando ataques de mísseis de alta precisão contra líderes de organizações criminosas.
Segundo o presidente americano, os cartéis representam um “câncer” que ameaça a estabilidade política e social em vários países do continente.
Aliança regional para combater o crime organizado
O encontro também marcou o lançamento de uma nova coalizão internacional chamada Escudo das Américas, uma iniciativa apoiada pela Casa Branca que reúne 17 países das Américas.
O objetivo declarado da aliança é coordenar estratégias de segurança para enfrentar redes de narcotráfico, grupos armados e outras organizações criminosas que atuam em vários países do continente.
Trump afirmou que os participantes assumiram o compromisso de utilizar “poder duro”, incluindo operações militares, para enfraquecer essas estruturas.
Oferta de mísseis para eliminar chefes do narcotráfico
Durante a reunião, Trump chegou a sugerir de forma direta que os Estados Unidos poderiam lançar mísseis de precisão contra líderes de cartéis.
Em tom enfático, o presidente disse que Washington está disposto a fazer “o que for necessário” para ajudar os países aliados.
Segundo ele, as armas americanas seriam capazes de atingir alvos específicos com grande precisão, eliminando chefões do narcotráfico sem causar grandes danos colaterais.
A declaração provocou reações entre analistas internacionais, que viram na fala um sinal de postura mais agressiva da política externa americana na América Latina.
Líderes latino-americanos participaram do encontro
A reunião contou com a presença de diversos chefes de Estado e líderes políticos da região. Entre eles estavam:
- Javier Milei, presidente da Argentina;
- Daniel Noboa, presidente do Equador;
- Nayib Bukele, presidente de El Salvador.
Outros representantes da América Latina e do Caribe também participaram do encontro, que buscou alinhar estratégias de segurança regional.
Estratégia faz parte da chamada “Doutrina Donroe”
A nova política externa de Trump para o continente foi apelidada por aliados de Doutrina Donroe, uma referência à histórica Doutrina Monroe, que no século XIX estabeleceu a influência dos Estados Unidos sobre o hemisfério ocidental.
Segundo o governo americano, a nova estratégia busca fortalecer a segurança regional, conter o avanço do crime organizado e reduzir a influência de potências estrangeiras, como a China, na América Latina.
Ausência de Brasil e México levanta questionamentos
Apesar do anúncio da coalizão, especialistas apontam limitações importantes no projeto. Dois países considerados centrais no combate ao narcotráfico — Brasil e México — não participaram da reunião.
Analistas destacam que organizações criminosas mexicanas dominam grande parte do tráfico internacional de drogas, enquanto grupos brasileiros exercem influência em portos estratégicos usados para envio de entorpecentes à Europa.
Sem a participação dessas nações, especialistas avaliam que a nova coalizão pode enfrentar dificuldades para alcançar resultados concretos.
Debate sobre intervenção volta ao centro da política regional
A proposta de Trump reacendeu discussões sobre o papel dos Estados Unidos na segurança da América Latina, especialmente devido ao histórico de intervenções militares americanas na região.
Para alguns governos aliados, a cooperação militar pode representar uma oportunidade para enfrentar o avanço do crime organizado. Para críticos, porém, a estratégia pode aumentar tensões políticas e abrir espaço para novas disputas geopolíticas no continente.
Enquanto isso, a iniciativa anunciada em Doral sinaliza que o combate ao narcotráfico deverá se tornar uma das prioridades da política externa de Washington nos próximos anos.