Trump toma partido de Bolsonaro e irrita governo Lula: Embaixada dos EUA endossa fala polêmica

Trump toma partido de Bolsonaro e irrita governo Lula: Embaixada dos EUA endossa fala polêmica

Diplomacia americana repete discurso de “perseguição política” feito por Trump

A crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos ganhou novos contornos nesta quarta-feira (9), após a Embaixada dos EUA no Brasil divulgar uma nota apoiando declarações recentes do presidente Donald Trump, nas quais ele acusa o Judiciário brasileiro de perseguir politicamente o ex-presidente Jair Bolsonaro. O gesto foi interpretado por Brasília como uma afronta direta à soberania nacional.

“Jair Bolsonaro e sua família têm sido fortes parceiros dos Estados Unidos. A perseguição política contra ele, sua família e seus apoiadores é vergonhosa e desrespeita as tradições democráticas do Brasil. Reforçamos a declaração do presidente Trump. Estamos acompanhando de perto a situação”, afirmou a embaixada.

A fala, ecoando o discurso de Trump feito dias antes na rede Truth Social, foi recebida com forte irritação pelo governo Lula. O Itamaraty agiu rapidamente e convocou o encarregado de negócios da embaixada — o mais alto posto da representação americana no país, já que a vaga de embaixador está em aberto desde janeiro.

Em nota oficial, Lula também destacou que a democracia brasileira é responsabilidade dos brasileiros:
“Somos um país soberano e não aceitamos interferência ou tutela de quem quer que seja.”

Trump, por sua vez, afirmou estar acompanhando o que chamou de “caça às bruxas” contra Bolsonaro. Ele escreveu que o julgamento do ex-presidente deveria acontecer “nas urnas” e não nos tribunais. “Ele não tem culpa de nada, exceto de ter lutado pelo povo”, disse o norte-americano, que enfrenta vários processos judiciais em seu próprio país.

Bolsonaro foi declarado inelegível em 2023 e ainda responde por sua suposta participação em tentativas de golpe de Estado. O Supremo Tribunal Federal, por enquanto, não se pronunciou sobre a nota da embaixada dos EUA.

Dentro do governo brasileiro, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, também reagiu com dureza: classificou as falas de Trump como “equivocadas” e criticou a intromissão estrangeira.
— Trump deveria se preocupar com os problemas internos dos Estados Unidos e respeitar a soberania brasileira — afirmou.

O episódio marca um dos momentos de maior tensão diplomática entre os dois países desde que Trump voltou à presidência.

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