
Túnel Santos-Guarujá tem vencedora do leilão: próximos passos até 2031
Empresa portuguesa Mota-Engil assume concessão de 30 anos e precisa cumprir etapas técnicas, jurídicas e ambientais antes de iniciar as obras
A construtora portuguesa Mota-Engil venceu o leilão do Túnel Imerso Santos-Guarujá nesta sexta-feira (5/9) e garantiu o contrato de concessão por 30 anos. Agora, a empresa, em parceria com o estado de São Paulo e o governo federal, precisa avançar por uma série de etapas técnicas, jurídicas e ambientais antes de começar as obras, previstas para 2026 ou 2027. A previsão é que o túnel seja entregue em 2031.
O contrato segue o modelo de Parceria Público-Privada (PPP): o governo de São Paulo pagará anualmente R$ 436,2 milhões à Mota-Engil — a menor proposta apresentada no leilão, abaixo do teto de R$ 438,4 milhões. Em troca, a empresa constrói e opera o túnel, enquanto o estado oferece a contraprestação financeira.
Etapas iniciais e aporte financeiro
Segundo Rafael Benini, secretário estadual de Parcerias e Investimentos, o primeiro passo é a adjudicação do contrato, fase em que toda a documentação será analisada. Após validação, o contrato será assinado oficialmente.
Em seguida, Estado e União têm até 60 dias para depositar R$ 2,7 bilhões cada, totalizando R$ 5,14 bilhões para viabilizar a obra. Caso algum valor não seja depositado, a outra parte pode complementar em até 90 dias. Se o aporte não for feito, a concessionária pode desistir do contrato. O investimento total do túnel é de R$ 6,8 bilhões, sendo que os R$ 1,78 bilhão restantes ficam a cargo da empresa, para manutenção e operação.
A fiscalização do projeto ficará sob responsabilidade conjunta do Governo de São Paulo e do governo federal, garantindo acompanhamento rigoroso de todas as etapas.
Preparação e construção do túnel
Com contrato assinado e recursos disponíveis, a Mota-Engil definirá o local da doca seca, onde os módulos de concreto do túnel serão montados. Áreas em Santos e Guarujá, como a Prainha, estão sendo avaliadas.
A produção dos módulos começará em 2027, e a imersão das estruturas no canal do Porto está prevista para 2030, a 22 metros de profundidade, com topo a 21 metros para segurança adicional. Obras de acesso em Santos e Guarujá também terão início em 2030, seguidas pela pavimentação, instalação de sistemas e trilhos para o VLT. A expectativa é que o túnel esteja aberto ao público em 2031.
Licenciamento ambiental
O projeto já conta com Licença Prévia (LP), emitida pela Cetesb em agosto, confirmando a viabilidade ambiental. A Mota-Engil será responsável pelas próximas fases: Licença de Instalação (LI) e Licença de Operação (LO), antes do início oficial das obras.
Estrutura e impacto
O túnel terá 1,5 km de extensão, com 870 metros sob o canal do estuário, três faixas por sentido (duas para veículos e uma exclusiva para VLT) e uma galeria para pedestres e ciclistas. A travessia será feita em até dois minutos, comparado aos 20 minutos das balsas e até uma hora pela Rodovia Cônego Domenico Rangoni.
Para atender aos requisitos técnicos, a Mota-Engil contratou a estatal chinesa China Communications Construction Company (CCCC), garantindo experiência em túneis imersos, método que será inédito no Brasil.