
Ventura descarta debate jurídico sobre Venezuela e comemora prisão de Maduro
Para o líder do Chega, discutir direito internacional é “conversa fiada” quando o alvo é um ditador
O candidato à Presidência da República e presidente do Chega, André Ventura, minimizou qualquer questionamento sobre uma possível violação do direito internacional na captura de Nicolás Maduro, afirmando que esse tipo de discussão perde relevância diante da queda de um regime ditatorial.
Durante uma ação de pré-campanha em Albufeira, Ventura celebrou a prisão do líder venezuelano em uma operação conduzida pelos Estados Unidos e classificou como irrelevante o debate sobre a legalidade internacional da ação.
“Chega dessa conversa de chacha. Estamos falando da prisão de um tirano”, afirmou, ao ser questionado por jornalistas antes de participar de um jantar-comício.
Ventura foi direto ao definir Maduro como “ditador, sanguinário, torturador e assassino” e defendeu que a retirada de líderes autoritários do poder deve ser vista como algo positivo, independentemente do cargo que ocupem.
“Quando o mundo se livra de ditadores, traficantes e narcotraficantes, isso é sempre bom. Sejam chefes de Estado ou não”, declarou.
O candidato reconheceu que o cenário ideal seria a própria Justiça venezuelana colocar fim ao regime, mas ressaltou que, em ditaduras, o sistema judicial costuma estar subordinado ao poder político.
“O ideal era que fosse a Justiça da Venezuela, mas isso não foi possível. Por isso, é bom que Maduro esteja preso. Ditadores precisam estar na prisão”, reforçou.
Ventura também afirmou que as democracias ocidentais precisam abandonar a postura de hesitação e deixar claro que não há espaço para tolerância com regimes autoritários.
“O tempo da fraqueza acabou. A mensagem tem que ser simples: o lugar do ditador é atrás das grades”, disse.
O líder do Chega defendeu ainda que Portugal e a União Europeia atuem para garantir que o futuro da Venezuela seja decidido pelos próprios venezuelanos, em eleições livres e transparentes.
“Agora são os venezuelanos que devem escolher, em liberdade, o seu destino”, afirmou, lembrando que Portugal não reconheceu as eleições venezuelanas de 2024.
Por fim, Ventura destacou a necessidade de atenção especial à comunidade portuguesa na Venezuela, defendendo que o Governo e a Presidência da República assegurem a proteção dos cidadãos portugueses e lusodescendentes que vivem no país.