Vereadora do PSOL chama traficantes de “trabalhadores” e revolta famílias vítimas das drogas

Vereadora do PSOL chama traficantes de “trabalhadores” e revolta famílias vítimas das drogas

Durante sessão em Porto Alegre, Karen Santos comparou o tráfico de entorpecentes à venda de café e açúcar, minimizando a dor de quem perdeu parentes para o vício e a violência.

Em um discurso que soou como um tapa na cara das famílias destruídas pelo tráfico, a vereadora Karen Santos (PSOL) afirmou, durante uma sessão na Câmara Municipal de Porto Alegre, que traficantes seriam “trabalhadores”, comparando o comércio de drogas à venda de produtos como café, açúcar e cigarros.

A fala, feita na última quarta-feira (29), aconteceu durante um debate sobre a megaoperação policial no Rio de Janeiro — a mais letal da história do estado. Segundo Karen, o tráfico de drogas seria uma forma de “trabalho megaexplorado” dentro de uma “cadeia produtiva capitalista”.

“Droga é uma mercadoria como qualquer outra… assim como o álcool, o cigarro, o açúcar e o café”, declarou a vereadora, em tom de defesa dos envolvidos no narcotráfico.

A parlamentar ainda afirmou que a criminalização das drogas favorece o enriquecimento de grandes esquemas de lavagem de dinheiro, enquanto “os trabalhadores da ponta” seriam vítimas da exploração econômica.

Mas, ao ouvir declarações como essa, fica impossível não se perguntar: será que a vereadora teria a mesma fala se tivesse perdido um filho, um irmão ou um amigo para o vício ou para a bala perdida que o tráfico espalha todos os dias?

Enquanto milhares de famílias enterram seus jovens — vítimas diretas ou indiretas da droga —, ouvir uma representante eleita tratar traficantes como “trabalhadores” soa como um deboche cruel. Não há glamour, não há romantismo: o tráfico não é emprego, é crime que destrói vidas e comunidades inteiras.

As palavras de Karen Santos mostram um distanciamento perigoso da realidade vivida nas periferias. Falar em “direitos trabalhistas” de quem lucra com a morte alheia é um desrespeito com as mães que choram, os filhos que ficam órfãos e os policiais que tombam.

Entre o discurso ideológico e a realidade das ruas há um abismo — e é nele que o povo pobre continua sangrando.

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