
Vergonha em praça pública: presidente do México é assediada durante evento oficial
Claudia Sheinbaum, primeira mulher a liderar o país, foi tocada de forma invasiva por um homem enquanto cumprimentava apoiadores. O caso escancara a impunidade e o machismo que ainda dominam as ruas mexicanas.
A cena é revoltante. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, foi vítima de assédio sexual em plena via pública, nesta terça-feira (4/11), enquanto participava de uma caminhada no centro histórico da Cidade do México. Em meio à multidão, um homem se aproximou por trás, abraçou a presidente, tocou sua cintura e o seio, e ainda tentou beijá-la no pescoço — tudo isso diante das câmeras e da população.
O agressor, identificado como Uriel Rivera, foi rapidamente detido por agentes de segurança e encaminhado à Promotoria de Investigação de Delitos Sexuais. Mesmo assim, o episódio gerou indignação internacional e reacendeu o debate sobre a violência de gênero e a cultura machista que ainda se impõem no país.
Nas imagens, Sheinbaum tenta manter a calma, afastando as mãos do homem e dizendo: “Não se preocupe”, antes que um assessor a protegesse. A serenidade da mandatária, porém, contrasta com o absurdo da situação: até a mulher mais protegida e poderosa do México não está imune ao abuso.
A secretária das Mulheres, Citlali Hernández, expressou repúdio nas redes:
“Repudiamos o ato que nossa presidente viveu hoje. As violências que enfrentamos vêm da normalização que muitos homens têm sobre invadir nosso espaço e nossos corpos.”
A reação do governo e da sociedade escancara um paradoxo cruel: em um país onde 45% das mulheres já foram vítimas de assédio ou violência sexual em locais públicos e onde mais de 3 mil feminicídios foram registrados em 2024, nem mesmo a presidência é espaço de segurança.
A ativista e ex-deputada Marta Tagle resumiu o sentimento coletivo em entrevista ao El País:
“O que aconteceu com Sheinbaum é o que milhares de mexicanas vivem todos os dias — o medo constante de serem tocadas, observadas ou violentadas simplesmente por existirem em público.”
O Código Penal mexicano prevê prisão de um a quatro anos para casos de assédio sexual. Mas, como sempre, a punição parece pequena diante do tamanho do problema. A impunidade ainda é a regra.
Sheinbaum pediu que o caso não seja explorado politicamente, mas o episódio vai muito além da política — é um grito de revolta contra um sistema que continua a tratar o corpo feminino como território público.
Enquanto o México se orgulha de ter sua primeira presidente mulher, a realidade insiste em lembrar que o machismo ainda dita as regras. E que, por mais alto que uma mulher chegue, a violência ainda tenta empurrá-la para o silêncio.