
Vídeo velho, polêmica nova: STF é provocado após postagem sobre Flávio Dino
Advogado de Filipe Martins publica gravação antiga do hoje ministro do STF fazendo “o L” e ignora o contexto temporal do material
Uma gravação antiga, um gesto conhecido e um contexto convenientemente esquecido. Foi assim que um vídeo reapareceu nas redes e acabou desembocando no Supremo Tribunal Federal. O responsável pela publicação foi o advogado Jeffrey Chiquini, que atua na defesa de Filipe Martins.
O problema não foi exatamente o conteúdo da gravação, mas a forma como ela foi apresentada. No vídeo, Flávio Dino aparece fazendo o gesto do “L”, amplamente associado ao presidente Lula. O detalhe omitido: a gravação é antiga, de um período em que Dino ainda não ocupava uma cadeira no Supremo.
Ao divulgar o material sem qualquer aviso sobre a data ou o contexto, a publicação acabou sendo interpretada como uma tentativa de sugerir alinhamento político atual — algo incompatível com a posição institucional exigida de um ministro do STF. O resultado foi previsível: o caso chegou à Corte, que foi acionada para avaliar a conduta e seus possíveis impactos.
Nos bastidores jurídicos, a avaliação é de que o episódio escancara uma prática cada vez mais comum nas redes: reciclar vídeos fora de contexto para alimentar narrativas políticas do presente. O truque é simples, mas eficaz — e perigoso. Um recorte antigo, quando reapresentado como se fosse atual, ganha nova carga simbólica e pode distorcer o debate público.
O caso também reacende a discussão sobre responsabilidade na atuação de advogados fora dos autos. Quando a militância digital se mistura com estratégias jurídicas, o risco é transformar o espaço público em palco de desinformação calculada.
No fim, sobra a sensação de que, mais uma vez, o passado foi puxado pelos cabelos para servir a disputas do presente. E, nesse jogo, não é o vídeo antigo que envelhece mal — é a tentativa de enganar quem assiste.