Voa Brasil prometeu asas, mas mal saiu do chão

Voa Brasil prometeu asas, mas mal saiu do chão

Programa do governo Lula previa milhões de passagens, mas virou mais um símbolo do fracasso anunciado

Lançado com pompa, discurso social e aquela velha promessa de “democratizar tudo”, o programa Voa Brasil acabou confirmando o que muitos já suspeitavam: não decolou. Desde sua estreia, em julho de 2024, a iniciativa conseguiu registrar apenas 51 mil passagens reservadas, número constrangedor diante da meta oficial de até três milhões de bilhetes no primeiro ano.

A proposta era simples no papel — como quase tudo neste governo: permitir que aposentados do INSS comprassem passagens aéreas por até R$ 200 por trecho, usando assentos vazios das companhias aéreas, sem custos diretos para o Tesouro. Na prática, virou mais um projeto bonito no PowerPoint e irrelevante na vida real.

Quando foi anunciado, o Voa Brasil foi vendido como uma revolução no turismo nacional, prometendo colocar 1,5 milhão de brasileiros que nunca haviam voado dentro de um avião. O resultado? Um número de reservas que não chega nem perto do planejado e que expõe a distância entre a propaganda oficial e a realidade.

O próprio Ministério de Portos e Aeroportos admite que o programa depende exclusivamente da boa vontade das companhias aéreas em liberar assentos ociosos — algo que, claramente, não aconteceu na escala imaginada pelo Planalto. Não há cota mínima, não há garantia, não há previsibilidade. Ou seja: não há programa de verdade.

Especialistas apontam o óbvio: o público-alvo é extremamente restrito, limitado a aposentados que não viajaram de avião nos últimos 12 meses, enquanto a oferta depende de empresas privadas que não têm incentivo real para participar. O resultado é um projeto travado, burocrático e distante da população que deveria beneficiar.

Em nota, o ministério informou que estuda “ajustes” e “melhorias”. Tradução: o governo reconhece o fracasso, mas ainda tenta salvar a narrativa.

O Voa Brasil era uma das vitrines sociais do terceiro mandato de Lula, mas hoje se soma à longa lista de promessas que não saíram do discurso. Em meio a escândalos bilionários no INSS e à crescente desconfiança da população, o programa virou mais um exemplo de um governo que fala em inclusão, mas entrega frustração.

No fim, o Voa Brasil mostrou que, sob o governo do fracasso, até avião fica preso na pista.

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