
Zambelli se entrega na Itália após condenação no Brasil
Deputada tenta barrar extradição e diz ser alvo de perseguição; foi incluída na lista da Interpol e responde por falsidade ideológica e porte ilegal de arma
Depois de meses de fuga internacional e polêmicas, a deputada federal licenciada Carla Zambelli (PL) resolveu se entregar às autoridades italianas nesta terça-feira (29), segundo informou seu advogado, Fábio Pagnozzi. O gesto marca um novo capítulo na longa novela envolvendo a parlamentar, que tenta a todo custo evitar a extradição para o Brasil, onde foi condenada a 10 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo a defesa, a entrega foi feita de forma “administrativa”, com a apresentação de endereço fixo em Roma, o que buscaria afastar a imagem de que estaria foragida. “Ela sempre esteve à disposição da Justiça”, afirmou Pagnozzi, tentando amenizar a situação.
Zambelli, que circulou pela Argentina e pelos Estados Unidos antes de se instalar na Itália, foi condenada por sua ligação com o hacker Walter Delgatti Neto, responsável pela inserção de mandados de prisão e soltura falsificados no sistema do Conselho Nacional de Justiça. Um dos documentos falsos incluía até uma ordem de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes — que virou seu principal alvo de críticas públicas.
Enquanto busca impedir a extradição com apoio de um advogado italiano de peso, Pieremilio Sammarco, Zambelli insiste no discurso de que é vítima de perseguição política. Em vídeo divulgado nas redes sociais, chamou a Itália de “democracia” e acusou Moraes de “ditador”.
No entanto, a Constituição italiana não impede extradição em casos de crimes comuns — argumento usado por juristas para refutar a tese da deputada de que sua cidadania europeia a protegeria da devolução ao Brasil. A Justiça italiana agora analisará o pedido formal de extradição feito pelo governo brasileiro, com base no tratado firmado entre os dois países em 1989. O processo pode levar até seis meses.
Durante sua estadia na Itália, Zambelli teria vivido com poucos recursos e em isolamento, de acordo com sua defesa. O marido, Aginaldo Oliveira, não a acompanhou. Ainda assim, a parlamentar manteve ativos seus perfis nas redes sociais, gravou vídeos e até convocou seguidores para atos no Brasil — mesmo após entrar para a lista vermelha da Interpol.
O escândalo envolvendo a deputada não se resume ao caso do hacker. Ela também responde por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal, devido à perseguição armada a um homem nas ruas de São Paulo, em plena campanha eleitoral de 2022. Por isso, também teve o mandato cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral de SP, embora o recurso ainda esteja tramitando.
Com a prisão, Zambelli agora enfrentará, além da Justiça italiana, o julgamento político no Brasil. A Câmara dos Deputados deverá avaliar a cassação definitiva de seu mandato. Enquanto isso, o STF bloqueou seus bens, contas bancárias, redes sociais e suspendeu seu passaporte diplomático. Os valores apreendidos — estimados em mais de R$ 2 milhões — serão usados para quitar as multas judiciais.
Para complicar ainda mais sua situação, o deputado italiano Angelo Bonelli, do partido Aliança Verde e de Esquerda, afirmou publicamente que entregou o paradeiro da parlamentar à polícia local. “Zambelli está em um apartamento em Roma. Informei o endereço às autoridades”, publicou Bonelli em suas redes.
Com o cerco se fechando na Europa e os recursos se esgotando, a parlamentar que se dizia “caçadora de corruptos” agora tenta fugir do próprio destino.
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