
Zelensky expõe incoerência global em Davos: “Uns vão a julgamento, outros seguem intocáveis”
Presidente da Ucrânia critica o peso desigual da Justiça internacional ao comparar a prisão de Maduro com a impunidade de Putin durante fórum econômico
Em um discurso direto e carregado de indignação no Fórum Econômico Mundial, em Davos, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, colocou o dedo em uma ferida antiga da política internacional: a seletividade da Justiça quando se trata de líderes poderosos.
Ao citar a recente prisão do presidente venezuelano Nicolás Maduro, detido em uma operação conduzida pelos Estados Unidos e hoje julgado em Nova York, Zelensky questionou por que o mesmo rigor não é aplicado ao presidente russo, Vladimir Putin. Para o ucraniano, a contradição é gritante. “Maduro será julgado. Putin, não”, resumiu, em tom de cobrança.
Zelensky lembrou que foi Putin quem deu início ao maior conflito armado na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, e ainda assim permanece livre, enquanto luta para recuperar ativos russos congelados no exterior. A crítica não parou aí. O presidente ucraniano também voltou sua atenção à Europa, acusando o continente de tolerar o trânsito de petróleo russo, dinheiro que, segundo ele, acaba financiando diretamente a guerra contra a Ucrânia.
“Se o presidente Trump consegue barrar os navios da chamada ‘frota das sombras’, por que a Europa não faz o mesmo?”, questionou, deixando no ar a acusação de complacência econômica diante da agressão militar.
Antes do discurso, Zelensky se reuniu com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também em Davos. O encontro serviu para avançar conversas sobre um possível caminho para o fim da guerra. Paralelamente, o enviado especial de Trump, Steve Witkoff, tem reunião prevista com Vladimir Putin em Moscou.
A expectativa internacional é de que esses diálogos ajudem a destravar negociações e aproximem o fim de um conflito que já se arrasta há quase quatro anos. Ainda assim, a fala de Zelensky deixou claro que, enquanto a balança da Justiça pesar de forma diferente para cada líder, a ideia de uma ordem global justa seguirá em xeque.