
Zema anuncia pedido de impeachment contra Alexandre de Moraes
Governador de Minas pretende levar solicitação ao Senado após revelações envolvendo mensagens com banqueiro
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, anunciou que irá protocolar no Senado um pedido de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.
A entrega do documento está prevista para a próxima segunda-feira (9), em Brasília, e deve contar com o apoio de parlamentares do Partido Novo que integram a bancada da sigla na Câmara dos Deputados.
A iniciativa ocorre em meio à repercussão de novas informações divulgadas pela imprensa sobre conversas entre Moraes e o empresário Daniel Vorcaro, personagem central de um grande escândalo financeiro investigado no país.
Conversas divulgadas motivaram a iniciativa
De acordo com o governador, o pedido de impeachment será baseado principalmente no conteúdo de mensagens que teriam sido trocadas entre o ministro e Vorcaro no dia da prisão do banqueiro.
As conversas foram divulgadas em reportagem da jornalista Malu Gaspar, o que provocou forte repercussão política em Brasília.
Para Zema, a existência desse diálogo levanta dúvidas sobre a conduta de um ministro da mais alta corte do país.
Segundo o governador, integrantes do Supremo devem manter postura de absoluta imparcialidade e transparência.
Declarações duras contra o ministro
Em declarações enviadas à imprensa, Zema afirmou que Moraes não teria condições de permanecer no cargo após as revelações.
O governador argumentou que magistrados do STF precisam estar acima de qualquer suspeita e submetidos às mesmas regras de responsabilidade e transparência exigidas de todos os cidadãos.
Ele também afirmou que pretende discutir o tema com lideranças políticas em Brasília antes de formalizar o pedido no Senado.
Contrato envolvendo escritório da esposa também foi citado
Em vídeo divulgado nas redes sociais, o governador mencionou ainda um contrato firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia da esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes.
Segundo Zema, o acordo teria valor aproximado de R$ 129 milhões, o que, na avaliação dele, reforçaria a necessidade de investigação mais profunda por parte do Senado.
O governador também destacou que, além desse contrato, as mensagens reveladas recentemente ampliariam os questionamentos sobre a relação entre as partes.
Aliados dizem que iniciativa não tem motivação eleitoral
Pessoas próximas à pré-candidatura de Zema à Presidência afirmam que a decisão de apresentar o pedido de impeachment surgiu por “indignação” diante das informações divulgadas.
Segundo aliados, o governador seria um dos poucos políticos com condições de levar adiante uma iniciativa desse tipo sem interesses pessoais diretos no caso.
Zema é apontado como possível candidato à Presidência da República nas eleições de 2026.
Críticas recentes entre Zema e ministros do STF
O anúncio do pedido de impeachment ocorre poucos dias depois de críticas públicas trocadas entre Zema e integrantes do Supremo.
Durante sessão da Corte, o ministro Gilmar Mendes respondeu às críticas feitas pelo governador à atuação do tribunal.
Na ocasião, Gilmar afirmou que Minas Gerais teria enfrentado sérios problemas financeiros durante a gestão de Zema e destacou que decisões judiciais do STF ajudaram o estado a manter sua estabilidade fiscal.
O ministro também criticou governadores que recorrem à Corte para resolver disputas financeiras, mas depois fazem ataques públicos ao tribunal.
Próximos passos dependem do Senado
Após ser protocolado, o pedido de impeachment precisará ser analisado pelo Senado Federal do Brasil, que é o órgão responsável por avaliar e dar andamento a esse tipo de processo contra ministros do Supremo.
Caso o pedido avance, caberá aos senadores decidir se a denúncia possui fundamentos suficientes para abertura de investigação e eventual julgamento político.
Até o momento, o STF e o ministro Alexandre de Moraes não se manifestaram oficialmente sobre o anúncio feito pelo governador de Minas Gerais.