
Zema defende anistia a Bolsonaro e projeta direita unida em 2026
Governador de Minas alerta para “dois pesos e duas medidas” na Justiça e defende conciliação política para pacificar o país
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), voltou a defender nesta segunda-feira (25), durante entrevista ao programa Roda Viva, que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) seja beneficiado com anistia em relação à acusação de tentativa de golpe. Segundo Zema, o Judiciário brasileiro estaria perseguindo políticos de direita, enquanto casos de corrupção envolvendo a esquerda, como Petrolão e Mensalão, teriam sido tratados com mais leniência.
“Precisamos pacificar o Brasil. Já demos anistia no passado para assassinos e sequestradores, então por que não dar agora?”, questionou Zema. Ele acrescentou que o julgamento de Bolsonaro não estaria sendo conduzido de forma imparcial e criticou o que considera um padrão duplo na aplicação da lei.
Sobre os episódios de 8 de janeiro, Zema minimizou a acusação de tentativa de golpe, argumentando que não houve apoio das Forças Armadas nem de milícias: “Na minha interpretação, tudo isso foi manifestação, desordem e insatisfação. Pode até ter havido uma idealização, mas não houve execução”.
Direita unida e cenário eleitoral
Zema também comentou sobre as perspectivas eleitorais de 2026. Para ele, os candidatos de direita estarão unidos no segundo turno, mesmo que haja vários nomes concorrendo no primeiro. A estratégia, segundo o governador, é que cada candidato conquiste votos em seu Estado de origem para consolidar o apoio regional e fortalecer o campo político no segundo turno.
Além de Zema, nomes como Ronaldo Caiado (União-GO), Ratinho Jr. (PSD-PR), Eduardo Leite (PSD-RS) e Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) estão entre os cotados para a disputa. Segundo o governador, sua candidatura permanece firme, independentemente de outros concorrentes da direita entrarem na corrida.
Política social e postura sobre críticas
Zema comentou ainda sobre polêmicas recentes, como sua declaração sobre pessoas em situação de rua: “Precisamos de uma solução central para esse problema. Pessoas não se guincham. O governo federal tem falhado, criando verdadeiros chiqueiros humanos nas cidades”, disse, criticando a omissão do setor público.
Quanto às críticas da família Bolsonaro, Zema descreveu os ataques como “infelizes”, mas compreensíveis diante da tensão vivida pelo ex-presidente e seus filhos. “A pressão é grande, o pai está sendo julgado e há perspectivas políticas difíceis para a família. É como crianças que fazem birra quando estão sofrendo; precisamos entender o contexto”, comparou.
Mesmo reconhecendo Bolsonaro como líder da direita, Zema ressaltou que sua vinculação com o ex-presidente nunca foi tão próxima: “Não caminhei com ele em 2018 nem em 2022 no primeiro turno, apenas no segundo turno”.
Posições internacionais e críticas ao governo federal
O governador também defendeu a saída do Brasil do Brics e criticou políticas do governo Lula, afirmando que decisões unilaterais em questões comerciais, como tarifas impostas pelos EUA, são resultado de posturas “antiamericanas” do presidente. “Problema comercial se resolve cara a cara, não por recados indiretos”, afirmou.