Zema leva ao Senado pedido de impeachment contra Alexandre de Moraes e acende novo embate institucional

Zema leva ao Senado pedido de impeachment contra Alexandre de Moraes e acende novo embate institucional

Governador de Minas e lideranças do Novo citam suspeitas envolvendo o Banco Master e pedem afastamento do ministro do STF enquanto denúncias são investigadas.

A tensão entre política e Judiciário ganhou mais um capítulo nesta semana. O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, decidiu dar um passo que promete repercutir em Brasília: protocolou no Senado um pedido de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.

O documento foi apresentado na segunda-feira (9) com apoio de dirigentes e parlamentares do Partido Novo, além de aliados políticos. Entre os nomes que endossaram a iniciativa está o ex-deputado Deltan Dallagnol.

A representação enviada ao Senado aponta supostas irregularidades envolvendo conversas e encontros entre o ministro do STF e o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Segundo os autores do pedido, as informações divulgadas levantariam dúvidas sobre a conduta de um magistrado da Suprema Corte, o que, na avaliação do grupo, poderia configurar crime de responsabilidade.

O ministro Alexandre de Moraes, por sua vez, nega qualquer envolvimento com as mensagens citadas nas denúncias.

Suspeitas levantadas no documento

No texto apresentado ao Senado, os signatários afirmam que o ministro teria mantido interlocução com o empresário para tratar de assuntos ligados a interesses empresariais perante autoridades públicas. Para os autores do pedido, esse tipo de diálogo poderia ferir o princípio de imparcialidade exigido de um integrante da mais alta Corte do país, o Supremo Tribunal Federal.

Outro ponto mencionado envolve um contrato de serviços jurídicos firmado entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Os autores da representação afirmam que o acordo levanta questionamentos e pedem que eventuais vínculos financeiros sejam investigados.

No documento, são citadas hipóteses que, segundo o grupo, mereceriam apuração detalhada, como possível tráfico de influência, advocacia administrativa e até lavagem de dinheiro — acusações que ainda dependem de comprovação.

Pedido de afastamento

Além do impeachment, o grupo solicita que Alexandre de Moraes seja afastado temporariamente do cargo enquanto as denúncias são analisadas. Na avaliação dos autores do pedido, a permanência do ministro na Corte poderia dificultar a investigação dos fatos.

Durante entrevista concedida no Senado, Romeu Zema afirmou que o caso precisa ser esclarecido com transparência. O governador declarou que a situação levanta preocupações e criticou o que classificou como silêncio de parte das instituições diante das suspeitas.

Pressão crescente sobre o STF

Este já é o décimo pedido de impeachment contra ministros do STF apresentado ao Senado apenas em 2026. O próprio Alexandre de Moraes já havia sido alvo de outra representação neste ano, também relacionada a reportagens que mencionaram contratos entre o Banco Master e o escritório de advocacia ligado à sua família.

Apesar da quantidade de pedidos, processos desse tipo raramente avançam. Pela Constituição, cabe ao Senado decidir se abre ou não investigação contra ministros da Suprema Corte.

Ainda assim, a iniciativa de Zema reforça o clima de confronto político que tem marcado o cenário nacional. Entre acusações, defesas e disputas de poder, o episódio mostra como as relações entre política, Justiça e interesses econômicos continuam no centro do debate público no Brasil.

Compartilhe nas suas redes sociais
Categorias
Tags