
🤝 Lula e Trump: diplomacia de portas fechadas e telefonemas estratégicos
Entre promessas de amizade e sobretaxas salgadas, o governo petista tenta costurar acordos discretos com Washington — longe dos microfones e sob o olhar atento do Planalto.
Enquanto o país enfrenta tensões econômicas e políticas internas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu recorrer à velha tática da conversa reservada. Nesta segunda-feira (6), Lula manteve uma ligação com o presidente norte-americano Donald Trump, pedindo a retirada da sobretaxa de 40% sobre produtos brasileiros e o fim das restrições contra autoridades nacionais.
O diálogo, de cerca de 30 minutos, foi descrito pelo Palácio do Planalto como “amistoso”. Segundo a nota oficial, os dois líderes “relembraram a boa química” que tiveram em Nova York, durante a Assembleia Geral da ONU — uma nostalgia diplomática que parece ter voltado à tona no momento em que o governo tenta aliviar pressões econômicas.
Nos bastidores, fontes do Itamaraty afirmam que Lula busca restaurar as relações comerciais com os EUA, vendendo a imagem de “parceria entre democracias do Ocidente”. O presidente aproveitou para destacar que o Brasil é um dos poucos países do G20 com superávit comercial em relação aos norte-americanos — um argumento que tenta equilibrar o jogo de forças.
De acordo com o Planalto, Trump delegou ao secretário de Estado Marco Rubio a missão de continuar as tratativas com o vice-presidente Geraldo Alckmin, o chanceler Mauro Vieira e o ministro da Fazenda Fernando Haddad. Um quarteto escalado para tentar transformar promessas telefônicas em acordos concretos.
O encontro entre os dois presidentes pode ocorrer no fim de outubro, na Cúpula da Asean, na Malásia, onde Lula já teria sinalizado disposição para novas conversas — desta vez, cara a cara. Ele ainda convidou Trump para participar da COP30 em Belém (PA), talvez na esperança de selar a trégua sob o discurso ambiental.
Mas o detalhe mais curioso ficou para o final: Lula e Trump trocaram números pessoais. Sim, o presidente petista agora tem uma linha direta com o bilionário republicano — um contato que, segundo interlocutores, servirá para “facilitar o diálogo”.
Nos corredores de Brasília, a leitura é clara: Lula tenta se aproximar dos Estados Unidos em silêncio, costurando uma diplomacia de bastidores enquanto o país acompanha de longe. Uma política externa feita ao telefone, com discurso de amizade… e o som abafado de negociações a portas fechadas.