
🌎 Lula aponta o dedo na COP-30: “Que os ricos paguem a conta que fizeram”
Em tom de cobrança, o presidente diz que o Sul Global não pode continuar pagando juros para consertar um planeta destruído pelo Norte — e defende o perdão da dívida dos países pobres em troca de ações ambientais.
No encerramento da Cúpula de Líderes da COP-30, em Belém, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu o tom e cobrou que as nações mais ricas assumam a responsabilidade pela crise climática que ajudaram a criar. Foi seu último discurso antes da abertura oficial do evento, e soou mais como uma bronca global do que uma fala diplomática.
“É possível construir uma transição justa, mas os que mais poluíram precisam pagar a conta”, afirmou Lula, lembrando que o Sul Global não pode continuar recebendo migalhas enquanto os países desenvolvidos acumulam lucro e carbono.
O presidente também defendeu o perdão da dívida de países pobres em troca de investimentos em energia limpa. Segundo ele, “não faz sentido ético ou prático cobrar juros de quem tenta salvar o planeta”. A crítica foi direta: os empréstimos que deveriam ajudar acabam virando um fluxo de dinheiro do Sul para o Norte, um “financiamento reverso”, nas palavras de Lula.
Lula ainda destacou que a maior parte do dinheiro prometido para o financiamento climático nem chega aos países em desenvolvimento, e quando chega, vem com juros altos. Ele pediu que o setor privado entre no jogo — não por caridade, mas por interesse. “Combater a crise climática é investimento, não despesa”, insistiu, citando dados da ONG Oxfam: uma pessoa do 0,1% mais rico emite, em um dia, mais carbono do que metade da população mundial em um ano inteiro.
O discurso foi encerrado com um apelo para que os bancos multilaterais e as metodologias de financiamento climático sejam reformulados, antes que o tempo — e o planeta — se esgotem de vez.