Comando Vermelho Impõe ‘Taxa do Medo’ em Condomínios do Minha Casa Minha Vida no Rio

Comando Vermelho Impõe ‘Taxa do Medo’ em Condomínios do Minha Casa Minha Vida no Rio

Facção assume controle de 800 apartamentos na Pavuna, cobra R$ 300 por morador e transforma condomínio em território dominado pelo crime

O que deveria ser um símbolo de conquista da casa própria virou um retrato assustador da crise de segurança pública que assola o Rio de Janeiro. Moradores de dois condomínios do programa Minha Casa Minha Vida, na Pavuna, Zona Norte da capital fluminense, passaram a conviver sob as regras impostas pelo Comando Vermelho, uma das maiores facções criminosas do país.

Segundo relatos de moradores e informações divulgadas pela imprensa, criminosos armados com fuzis e vestindo roupas semelhantes a uniformes militares convocaram uma reunião para comunicar uma nova realidade: cada apartamento deverá pagar uma taxa mensal de R$ 300 à organização criminosa.

A cobrança atinge cerca de 800 apartamentos. Caso todos os moradores efetuem o pagamento, a arrecadação da facção pode alcançar impressionantes R$ 240 mil por mês — um verdadeiro “imposto paralelo” cobrado à força de trabalhadores que já enfrentam dificuldades para manter as contas em dia.

Mas a extorsão não para por aí.

Além da cobrança obrigatória, moradores relatam que estão sendo pressionados a comprar gás exclusivamente de fornecedores ligados ao tráfico. Há ainda denúncias de interferência em serviços de internet e de tentativas de controle da administração dos condomínios, ampliando o domínio criminoso sobre a rotina das famílias.

O cenário faz lembrar uma espécie de “governo paralelo”, onde traficantes passam a exercer funções que deveriam ser garantidas pelo Estado. A situação é ainda mais grave por ocorrer em empreendimentos criados justamente para oferecer moradia digna a famílias de baixa renda.

De acordo com informações divulgadas, a ordem teria partido de Edgar Alves, conhecido como “Doca”, apontado como uma das lideranças da organização criminosa na região.

Moradores vivem sob medo constante. Alguns relatam receio de abandonar os imóveis e vê-los ocupados ilegalmente. Outros evitam denunciar por temor de represálias. O silêncio, muitas vezes, torna-se a única estratégia de sobrevivência diante da força imposta pelos criminosos.

O episódio reacende um debate que há anos preocupa especialistas em segurança pública: até onde chegou o avanço das facções criminosas em comunidades e conjuntos habitacionais brasileiros?

Enquanto autoridades discutem políticas públicas e planos de combate ao crime, moradores convivem com uma realidade dura e humilhante: pagar impostos ao governo e, ao mesmo tempo, serem obrigados a sustentar financeiramente organizações criminosas para permanecer dentro da própria casa.

A Polícia Militar informou que intensificou o patrulhamento na região por meio do batalhão responsável pela área de Irajá. No entanto, até o momento da divulgação das informações, não havia registro formal da ocorrência que permitisse uma ação mais específica sobre o caso.

Para quem vive nos condomínios afetados, porém, a sensação é de abandono. Afinal, quando traficantes conseguem convocar reuniões, impor taxas, controlar serviços essenciais e determinar regras de convivência, a pergunta inevitável é: quem realmente está no comando daquele território?

A resposta, infelizmente, parece cada vez mais evidente para os moradores da Pavuna.

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