🌪️ O último sorriso de Júlia: a menina de 14 anos levada pelo tornado que destruiu Rio Bonito do Iguaçu

🌪️ O último sorriso de Júlia: a menina de 14 anos levada pelo tornado que destruiu Rio Bonito do Iguaçu

Entre sonhos e despedidas, a jovem Júlia Kwapis se tornou um dos rostos mais marcantes da tragédia que devastou o Paraná, deixando centenas de feridos e um silêncio de dor em meio aos escombros.

Júlia Kwapis tinha apenas 14 anos. Era uma adolescente cheia de planos, fé e alegria — prestes a receber a Crisma, um momento que ela aguardava com o coração leve de quem acredita no amanhã. Mas o destino, cruel e imprevisível como o vento, interrompeu sua história quando um tornado devastou o município de Rio Bonito do Iguaçu, no Centro-Sul do Paraná, na sexta-feira (7).

A menina estava na casa de uma amiga quando as rajadas, que chegaram a 250 km/h, arrancaram telhados, derrubaram paredes e arrastaram vidas. Júlia foi uma das seis vítimas fatais confirmadas. Levantada pela força dos ventos, foi encontrada gravemente ferida e levada ao Hospital São José, em Laranjeiras do Sul — a cerca de 18 km de onde o pesadelo começou.

Sua mãe, Mari Kwapis, contou que passou a noite inteira sem notícias, entre o medo e a esperança. Somente às 6h20 da manhã seguinte recebeu a ligação que nenhum coração de mãe suporta: Júlia havia sido levada ao hospital em estado crítico.

“Ela chegou em um grau muito difícil… muito machucada. Foi arrastada pelo vento”, disse Mari, com a voz embargada.

O pai, Roberto Kwapis, lembra com tristeza da última mensagem trocada com a filha, pouco antes da tragédia.

“Ela me mandou por volta das 16h45, falando sobre o churrasco da Crisma. Estava animada. Essa foi a última vez que ouvi a voz dela”, contou.

No áudio, a menina perguntava à madrinha se fariam uma comemoração simples, em casa, no dia seguinte. Um plano que o vento levou — junto com boa parte da cidade.

Uma cidade em ruínas e corações despedaçados

O tornado, classificado como EF3, deixou um cenário de destruição. A Defesa Civil informou que cerca de 90% das construções de Rio Bonito do Iguaçu foram danificadas. Casas, comércios, escolas — tudo virou destroço. Mais de 750 pessoas ficaram feridas e 1.000 estão desalojadas.

“É como um cenário de guerra”, descreveu o coronel Jonas Emmanuel Benghi Pinto, do Corpo de Bombeiros. As equipes seguem vasculhando a área rural, mas as buscas na área urbana já foram encerradas.

A cidade, com pouco mais de 14 mil habitantes, tenta agora se reerguer — entre escombros, lágrimas e saudade.

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