
đ Cultura a Todo Custo
đž Enquanto o paĂs afunda no vermelho, Lula transforma estatais em caixas culturais
Quando o assunto Ă© fechar as contas pĂșblicas, o discurso Ă© de sacrifĂcio. Mas quando entra em cena a Lei Rouanet, o cofre parece ganhar vida prĂłpria â especialmente sob o governo Lula. Em 2025, as estatais federais bateram recorde histĂłrico, despejando R$ 403,7 milhĂ”es em projetos culturais via incentivo fiscal, o maior valor desde a criação da lei, lĂĄ em 1994.
O detalhe incĂŽmodo Ă© o timing: o recorde acontece justamente quando o governo federal depende cada vez mais das estatais para tentar tapar um rombo fiscal que nĂŁo para de crescer. Ou seja, enquanto o Tesouro sangra, as estatais patrocinam.
No total, a Lei Rouanet movimentou R$ 3,4 bilhĂ”es em 2025, um crescimento de mais de 12% em relação ao ano anterior. Mas quem puxou a fila mesmo foram as empresas pĂșblicas â aquelas que deveriam ajudar a equilibrar as contas, nĂŁo ampliĂĄ-las.
đąïž Petrobras e BNDES: protagonistas do espetĂĄculo
Entre os maiores financiadores da Rouanet, Petrobras e BNDES aparecem com destaque absoluto. Sozinhas, as duas estatais colocaram R$ 352,2 milhĂ”es em projetos culturais â mais do que as trĂȘs maiores empresas privadas somadas no ranking.
A Petrobras, campeĂŁ isolada, destinou R$ 307,3 milhĂ”es, um salto de impressionantes 1.500% em comparação a 2022, Ășltimo ano do governo Bolsonaro. A explicação oficial fala em âresponsabilidade socialâ e âredimensionamento de portfĂłlioâ. Para o contribuinte, soa mais como prioridade polĂtica travestida de cultura.
đïž Rouanet: incentivo cultural ou imposto que some?
Na teoria, a Lei Rouanet serve para democratizar o acesso Ă cultura. Na prĂĄtica, funciona assim: o governo autoriza projetos, as empresas bancam, e o dinheiro Ă© abatido do Imposto de Renda. Ou seja, nĂŁo Ă© dinheiro privado, Ă© imposto que deixa de entrar no Tesouro Nacional.
Ă aĂ que mora a contradição. Enquanto o governo Lula fala em responsabilidade fiscal, ajuste e arcabouço, abre mĂŁo de bilhĂ”es em arrecadação, usando estatais como vitrines culturais â tudo pago indiretamente pelo cidadĂŁo.
O resultado Ă© um roteiro conhecido:
đ contas pĂșblicas no vermelho,
đ gastos recordes com cultura patrocinada,
đïž estatais pressionadas,
đŹ e discursos bonitos para justificar a conta.
No fim, sobra a pergunta que ninguém no Planalto responde:
quem paga essa festa?
A resposta, como sempre, nĂŁo aparece nos palcos â mas no bolso do contribuinte.