🎭 Milhões no palco, discurso no microfone: Fafá, a verba pública e o “sem anistia”

🎭 Milhões no palco, discurso no microfone: Fafá, a verba pública e o “sem anistia”

Governo libera R$ 8,3 milhões para musical sobre Fafá de Belém, enquanto a cantora sobe ao palco em Copacabana para atacar a anistia dos atos de 8 de janeiro — tudo embalado por aplausos, slogans e ironia.

Enquanto o governo abre o cofre e libera R$ 8,3 milhões para bancar um musical celebrando os 50 anos de carreira de Fafá de Belém, a mesma artista ocupa a orla de Copacabana para discursar contra a anistia dos envolvidos nos atos de 8 de janeiro. O enredo é curioso: dinheiro público nos bastidores, palavras de ordem no palco.

Convocada por Caetano Veloso, Fafá participou do chamado “Ato Musical 2: O Retorno”, um evento que misturou música, política e militância explícita contra o projeto de lei que discute anistia aos condenados — e, claro, contra Jair Bolsonaro. Nada de sutileza. O tom foi direto, inflamado e previsível.

Apresentada como a eterna “musa das Diretas Já”, Fafá evocou o passado para justificar o presente, comparando o Brasil atual ao período da ditadura militar. Em discurso curto, mas carregado de dramaticidade, cravou que “a força do povo é o próprio povo” e que não deixaria “passar barato”. Em seguida, cantou “Vermelho” — escolha nada inocente — e chamou Caetano de volta ao palco para “Emoriô”, selando o ato político-musical.

Caetano, vestido de verde e amarelo, pediu um “Brasil com respeito”, enquanto a plateia respondia em coro: “sem anistia”. O repertório seguiu afinado com o discurso, entre clássicos e críticas embaladas em poesia. No palco, também passaram artistas e políticos, todos alinhados, todos confortáveis, todos certos de estar do “lado certo da história”.

O contraste, porém, salta aos olhos. De um lado, a retórica combativa contra a anistia. Do outro, uma verba milionária bancada pelo Estado para transformar a trajetória da cantora em espetáculo luxuoso. Fica a sensação de que, nesse teatro político, a indignação é performada com recursos públicos — e a ironia escreve o roteiro sozinha.

No fim, o recado é claro: não há anistia para uns, mas há patrocínio farto para outros. E o show, como sempre, continua.

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