
đđ Governo Lula e Agro batem cabeça na disputa pelo selo de paĂs livre da febre aftosa
Entrega do certificado em Paris gera novo embate entre o Planalto e produtores rurais, que cobram reconhecimento pelo trabalho de décadas
Nem a conquista de um selo internacional foi capaz de esfriar os Ăąnimos entre o governo Lula e parte do agronegĂłcio. Durante a entrega do certificado que reconhece o Brasil como paĂs livre da febre aftosa sem vacinação â concedido pela Organização Mundial de SaĂșde Animal (OMSA) em Paris â o que se viu foi mais um capĂtulo de desgaste e disputa por protagonismo.
De um lado, representantes do agro e parlamentares ligados ao setor, como Tereza Cristina (PP-MS), se sentiram escanteados pela ausĂȘncia do ministro da Agricultura, Carlos FĂĄvaro. Quem representou o governo foi Marcelo Mota, diretor do Departamento de SaĂșde Animal. E, claro, isso nĂŁo pegou bem.
Nos bastidores, a desconfiança corre solta: hå quem diga que o governo quer deixar a entrega oficial do selo para a próxima semana, quando Lula desembarca em Paris ao lado de Fåvaro, com direito a fotos, discursos e holofotes voltados para o presidente.
Pra piorar, membros da comitiva relataram dificuldades até pra conseguir credencial na cerimÎnia, somado a uma falta de apoio institucional que gerou desconforto geral.
O empresårio e pecuarista Pedro de Camargo Neto, que hå décadas atua no combate à aftosa, não poupou palavras:
đŁïž âEssa briga Ă© absurda. Esse certificado Ă© uma vitĂłria do Brasil, fruto de anos de trabalho conjunto entre os setores pĂșblico e privado. Ficar disputando quem Ă© o pai da criança sĂł enfraquece o paĂs.â
NĂŁo Ă© novidade que a relação entre Lula e o agronegĂłcio anda azeda desde o inĂcio do mandato. O presidente da Frente Parlamentar da AgropecuĂĄria, Pedro Lupion (PP-PR), jĂĄ resumiu essa novela:
đ âTodo dia o Planalto arruma um motivo pra tretar com o agro.â
E assim seguimos. Nem quando o Brasil avança, o clima de paz se firma entre o governo e o setor que carrega boa parte da economia nas costas.