
💰 Lula propõe imposto global sobre super-ricos para acabar com a fome
Presidente defende 2% sobre ativos de bilionários, critica desigualdade e alerta que fome é problema político, não só econômico; aponta necessidade de reforma financeira internacional e cooperação global.
Em Roma, na abertura do Fórum Mundial da Alimentação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou uma proposta ousada: criar um imposto global de 2% sobre os ativos dos super-ricos para financiar o combate à fome no planeta.
— Hoje, 673 milhões de pessoas vivem em insegurança alimentar. Garantir três refeições diárias para todas custaria cerca de 315 bilhões de dólares, apenas 12% dos 2,7 trilhões de dólares gastos anualmente em armamentos — explicou Lula, destacando que um tributo de 2% sobre bilionários cobriria esse valor.
O presidente brasileiro frisou que não se pode separar a fome das desigualdades sociais, de gênero e entre países ricos e pobres. Para ele, uma verdadeira solução exigiria reformas na arquitetura financeira internacional, que permitam recursos adequados para programas sociais e desenvolvimento humano.
Durante o discurso, Lula defendeu ainda medidas práticas para ajudar países em crise alimentar, como redução de juros de empréstimos, aperfeiçoamento de sistemas tributários e alívio da dívida de nações mais pobres.
— Não basta produzir alimentos, é preciso distribuí-los. Colocar o pobre no orçamento é essencial, e políticas públicas não podem ser confundidas com assistencialismo — afirmou, ressaltando que a fome é irmã da guerra, inclusive a tributária.
O presidente também elogiou o papel da FAO e reforçou a necessidade de ação coletiva, mesmo reconhecendo que o otimismo dos líderes mundiais está abalado.
Falando sobre a COP30, que ocorrerá em Belém (PA) em novembro, Lula defendeu que o combate às mudanças climáticas caminhe lado a lado com a redução da fome e da pobreza, e que países ricos assumam responsabilidade financeira para adaptar os sistemas alimentares à nova realidade climática.
O discurso reforça a visão de Lula de que desigualdade e fome são escolhas políticas e que soluções existem, mas dependem de coragem e cooperação global.