📉 Boulos tropeça nos nĂșmeros e transforma economia em ficção: MĂ©xico vira vilĂŁo, Brasil herĂłi — sĂł que nĂŁo

📉 Boulos tropeça nos nĂșmeros e transforma economia em ficção: MĂ©xico vira vilĂŁo, Brasil herĂłi — sĂł que nĂŁo

Ministro de Lula inverte dados sobre risco-país e juros, pinta o México como o caos financeiro do continente e termina expondo o descompasso do próprio governo com a realidade econÎmica.

Durante um evento em BrasĂ­lia, o ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da PresidĂȘncia) resolveu brincar de economista — e acabou escorregando feio. Em um discurso inflamado, Boulos afirmou que o risco-paĂ­s do MĂ©xico seria dez vezes maior que o do Brasil, e que os juros brasileiros seriam cinco vezes mais baixos. Um detalhe: os nĂșmeros oficiais mostram exatamente o contrĂĄrio.

Segundo levantamento do Poder360, o CDS de 5 anos do MĂ©xico, principal indicador internacional de risco-paĂ­s, estĂĄ em 93,5 pontos, enquanto o do Brasil bate 140,8. Traduzindo: o mercado enxerga o MĂ©xico como mais estĂĄvel e confiĂĄvel do que o Brasil de Boulos — o que desmonta, com fatos, o discurso ufanista do ministro.

Mas o festival de equĂ­vocos nĂŁo parou por aĂ­. Enquanto a taxa Selic brasileira permanece em 15% ao ano, o juro bĂĄsico mexicano Ă© de 7,5%. Mesmo descontando a inflação, o Brasil ainda ostenta o segundo maior juro real do planeta, perdendo apenas para a RĂșssia. O MĂ©xico, por sua vez, aparece bem mais abaixo, em quinto lugar.

Economistas e analistas do mercado chamaram o episĂłdio de “show de desinformação”, destacando que o governo tenta pressionar o Banco Central com discursos populistas disfarçados de argumento tĂ©cnico. A ideia, dizem eles, Ă© pintar o cenĂĄrio econĂŽmico como injusto — ainda que a tinta usada seja feita de nĂșmeros inventados.

E hĂĄ mais: enquanto o Brasil luta para sair do nĂ­vel especulativo nas agĂȘncias de risco, o MĂ©xico mantĂ©m grau de investimento com notas Baa2 (Moody’s) e BBB (S&P), alĂ©m de ter dĂ­vida pĂșblica menor — 58,9% do PIB, contra os 91,4% brasileiros.

No fim, o episĂłdio expĂ”e o abismo entre o discurso do governo e a realidade econĂŽmica. Boulos tentou transformar dados em narrativa, mas esqueceu que nĂșmeros nĂŁo tĂȘm ideologia. E quando a matemĂĄtica fala, o populismo cala.

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