
đ„ âDifĂcil Ă© ouvir quem nunca subiu o morroâ: policial do Rio desabafa apĂłs crĂticas da mĂdia Ă megaoperação
Durante a ação mais letal da histĂłria do Complexo da Penha, a policial Munique Busson, conhecida como âDiaba Loiraâ, rebateu os âespecialistas de estĂșdioâ e defendeu o trabalho dos agentes que arriscam a vida em campo.
Em meio Ă polĂȘmica da megaoperação no Complexo da Penha, no Rio de Janeiro, que deixou mais de 120 mortos, a policial militar Munique Busson â apelidada de âDiaba Loiraâ â usou as redes sociais para rebater a cobertura da mĂdia e os comentĂĄrios de especialistas em segurança que criticaram a atuação da polĂcia.
âVou fazer dez anos de polĂcia em dezembro. E sabe o que Ă© mais difĂcil? Eu estava lĂĄ na operação do Complexo da Penha. Eram 2.448 homens e duas mulheres. E eu estava lĂĄ. A parte mais difĂcil Ă© ouvir âespecialista de segurança pĂșblica da Globoâ falando do que nĂŁo viveu. Olha a cara da pessoaâ, disparou Munique, visivelmente indignada.
A operação, batizada de âContençãoâ, mobilizou cerca de 2.500 agentes nos complexos da Penha e do AlemĂŁo â uma das maiores açÔes jĂĄ realizadas no Rio. O governo informou 119 mortos atĂ© o dia 29 de outubro, incluindo quatro policiais, mas hĂĄ estimativas nĂŁo oficiais que apontam para um nĂșmero ainda maior.
A fala de Munique veio como resposta Ă s declaraçÔes da professora e especialista Jaqueline Muniz, que classificou a operação como âamadoraâ e âdesorganizadaâ, afirmando que ela apenas agravaria o sofrimento da população local.
Em tom firme, a policial questionou o distanciamento da mĂdia e dos comentaristas:
âĂ fĂĄcil criticar da redação, com ar-condicionado e cafĂ© quente. DifĂcil Ă© estar no meio do fogo cruzado tentando tirar morador e colega de lĂĄ com vida.â
Até o momento, nem a TV Globo nem a especialista Jaqueline Muniz responderam ao desabafo.
Entre o discurso e a realidade
A fala de Munique ecoou entre policiais e moradores que hĂĄ anos convivem com o domĂnio do trĂĄfico e a ausĂȘncia do Estado. Enquanto a mĂdia discute protocolos, sĂŁo esses agentes que enfrentam o crime de frente, dia e noite, em comunidades esquecidas.
No campo, o barulho Ă© de tiros, nĂŁo de aplausos.
E talvez seja isso que incomoda: o contraste entre a teoria das anĂĄlises televisivas e a realidade de quem sangra para manter o mĂnimo de ordem.