PF mira grupo suspeito de desviar R$ 45 milhões de correntistas da Caixa em operação com 25 mandados

PF mira grupo suspeito de desviar R$ 45 milhões de correntistas da Caixa em operação com 25 mandados

Operação Infiltrados mobilizou cerca de 120 agentes em sete municípios de São Paulo e do Rio de Janeiro; investigação apura suposta participação de servidores públicos, advogados e contraventores no acesso a dados sigilosos e na tentativa de dificultar o trabalho das autoridades

A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (21/7), a Operação Infiltrados para investigar uma suposta organização criminosa suspeita de desviar aproximadamente R$ 45 milhões de contas de clientes e beneficiários da Caixa Econômica Federal. A ofensiva levou equipes da corporação a diferentes municípios dos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo, em uma investigação que apura não apenas as fraudes financeiras, mas também a possível existência de uma rede de apoio formada por pessoas com acesso a informações protegidas por sigilo.

Ao todo, foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão, com a mobilização de aproximadamente 120 policiais federais. As ordens judiciais foram executadas na cidade do Rio de Janeiro e nos municípios de Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Niterói e Cabo Frio, no estado fluminense, além de Indaiatuba e Salto, em São Paulo. A operação contou ainda com o apoio do Ministério Público Federal.

Segundo as investigações, os suspeitos teriam utilizado dados sigilosos de correntistas e beneficiários da Caixa para acessar informações bancárias e realizar desvios de recursos. O prejuízo estimado até o momento chega a R$ 45 milhões.

A apuração, entretanto, vai além do suposto desvio de dinheiro. A Polícia Federal investiga se o grupo teria contado com a participação de servidores públicos, advogados e outros colaboradores para obter informações protegidas e dificultar o avanço das investigações. Também está sob análise a possível atuação de contraventores na aproximação com agentes públicos e na estruturação da rede investigada.

A suspeita é de que os envolvidos tenham utilizado diferentes níveis de acesso e influência para alcançar informações sigilosas de clientes do banco público e, posteriormente, tentar impedir, retardar ou dificultar a atuação dos órgãos responsáveis pela investigação.

Uma operação para revelar a estrutura do esquema

A Operação Infiltrados tem como principal objetivo aprofundar a coleta de provas sobre a organização investigada. Com a análise dos materiais apreendidos durante o cumprimento dos mandados, os investigadores pretendem identificar novos integrantes, esclarecer a dinâmica das fraudes e descobrir como os recursos teriam sido desviados das contas dos correntistas.

A PF também busca compreender o papel desempenhado por cada suspeito. A investigação apura se alguns envolvidos atuavam diretamente na obtenção dos dados bancários, enquanto outros poderiam funcionar como intermediários, facilitadores ou responsáveis por dificultar a atuação das autoridades.

A participação de advogados e servidores públicos é tratada como um dos pontos sensíveis da investigação. Segundo as informações divulgadas, essas pessoas poderiam ter contribuído para o acesso indevido a informações protegidas ou para a tentativa de criar obstáculos à apuração.

Até o momento, a Polícia Federal não informou a existência de prisões relacionadas à operação nem divulgou o número total de investigados.

Caixa afirma colaborar com a Polícia Federal

A Caixa Econômica Federal informou que acompanha o caso e colabora com a Polícia Federal e com os demais órgãos responsáveis pela apuração.

Em nota, o banco afirmou que mantém mecanismos permanentes de monitoramento de produtos, serviços e transações para identificar movimentações suspeitas e reforçar a prevenção contra fraudes. A instituição também declarou que informações obtidas em procedimentos internos de monitoramento são tratadas sob sigilo e compartilhadas exclusivamente com as autoridades competentes para fins de investigação.

A operação ocorre em um momento de crescente atenção das autoridades sobre esquemas especializados em fraudes bancárias, crimes financeiros e utilização indevida de dados pessoais e bancários. Para os investigadores, a dimensão estimada do prejuízo e a possível participação de pessoas com acesso privilegiado a informações tornam o caso especialmente relevante.

Investigação continua após cumprimento dos mandados

A Operação Infiltrados não encerra a apuração. A partir de agora, o material recolhido nas buscas será submetido à análise da Polícia Federal. Documentos, equipamentos eletrônicos, registros e outros elementos poderão ajudar a reconstruir a movimentação financeira e a identificar novos suspeitos.

A investigação também deverá buscar esclarecer como os dados dos correntistas teriam sido obtidos, de que forma os recursos foram desviados e qual teria sido a função de cada integrante da organização.

O caso permanece sob investigação, e eventuais responsabilizações dependerão da conclusão das apurações e das decisões das autoridades competentes. Até o momento, os suspeitos são investigados, e não há condenações definitivas relacionadas ao esquema.

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