đŸ”„ Protesto em SP queima bonecos de Trump e Bolsonaro diante do consulado dos EUA

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Manifestação contra tarifaço imposto pelos EUA mistura críticas à política externa, pedidos de rompimento com Israel e resgate simbólico dos “Caras Pintadas”

Na manhĂŁ desta sexta-feira (1Âș), a frente do consulado americano na zona sul de SĂŁo Paulo virou palco de protesto contra as novas tarifas anunciadas por Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, sobre produtos brasileiros. Organizado pela UniĂŁo Nacional dos Estudantes (UNE) e entidades sindicais, o ato reuniu militantes que queimaram bonecos de Trump e Jair Bolsonaro ao lado de sacos representando exportaçÔes do Brasil. Uma bandeira americana tambĂ©m foi incendiada, enquanto integrantes do PSTU pediam que o governo Lula rompesse relaçÔes com Israel.

A escolha do local nĂŁo foi por acaso: segundo a UniĂŁo Estadual dos Estudantes, o consulado simboliza o ponto de contato entre Brasil e EUA — e, portanto, o lugar ideal para “responder” Ă s medidas que consideram ideolĂłgicas e prejudiciais Ă  soberania nacional. A via em frente ao prĂ©dio chegou a ser bloqueada, mas o consulado manteve o atendimento, inclusive para emissĂŁo de vistos.

O protesto coincidiu com a data inicialmente prevista para o inĂ­cio das tarifas, mas Trump adiou a aplicação para o prĂłximo dia 6. A ordem executiva assinada pelo presidente americano eleva para 50% a tarifa sobre diversos produtos brasileiros, atingindo em cheio setores como o cafĂ© — embora itens como suco de laranja, aeronaves e minĂ©rio de ferro tenham ficado de fora da sobretaxa adicional de 40%.

AlĂ©m da pauta econĂŽmica, o ato incorporou reivindicaçÔes como a taxação de grandes fortunas e o fim da escala de trabalho 6×1. Inspirados no espĂ­rito dos “Caras Pintadas” dos anos 1990, estudantes e sindicalistas ergueram bandeiras do Brasil e cantaram o Hino da IndependĂȘncia, num esforço de resgatar sĂ­mbolos que, segundo eles, foram apropriados por grupos bolsonaristas.

Apesar do entusiasmo, o pĂșblico presente ficou aquĂ©m do esperado. A organização falava em 500 pessoas, mas os presentes admitiam que o ato estava esvaziado — em parte pela localização distante e pelo horĂĄrio da manhĂŁ. Ainda assim, para militantes como Julia Monteiro, de 19 anos, da UniĂŁo Paulista de Estudantes Secundaristas, o movimento Ă© um passo importante:

“Esse tarifaço vai afetar diretamente trabalhadores e estudantes. A gente estuda e trabalha para ajudar em casa, e essa medida pode nos deixar sem renda. Queremos mostrar que nacionalismo nĂŁo Ă© bandeira da direita, Ă© defesa real do nosso paĂ­s.”

No dia 14 de agosto, está prevista nova manifestação para, segundo os organizadores, “retomar os símbolos nacionais” e ampliar a pressão contra as medidas econîmicas impostas pelos EUA.

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