
đŠ Regulação das Redes Volta Ă Mesa de Lula
đ Governo quer enviar projeto ao Congresso para responsabilizar big techs e proteger usuĂĄrios
O governo de Luiz InĂĄcio Lula da Silva (PT) estĂĄ se preparando para, ainda neste semestre, enviar ao Congresso uma proposta para regular as plataformas digitais. A decisĂŁo agora depende apenas de avaliar se hĂĄ clima polĂtico para isso, jĂĄ que o tema encontra bastante resistĂȘncia entre os parlamentares.
O debate na CĂąmara sobre o assunto estĂĄ parado desde abril de 2023, quando o chamado PL das Fake News ficou na porta da votação, mas acabou saindo da pauta em meio a muita polĂȘmica e pressĂŁo de empresas de tecnologia.
No sĂĄbado (24), durante um evento em Campo Verde (MT), Lula voltou a defender a regulamentação. âĂ preciso discutir com o Congresso a necessidade de regular as redes sociaisâ, afirmou. E foi alĂ©m: âNĂŁo Ă© possĂvel que tudo tenha controle neste paĂs, menos as empresas de aplicativosâ.
đ O que prevĂȘ o projeto?
A proposta do governo estabelece obrigaçÔes claras para as plataformas. Elas teriam que oferecer canais de atendimento ao consumidor, criar espaços para denĂșncias e garantir mais transparĂȘncia sobre como usam nossos dados e quem paga pelos anĂșncios que aparecem na tela.
Um dos principais focos Ă© proteger crianças e adolescentes. O texto prevĂȘ que as empresas removam, de forma imediata, conteĂșdos que envolvam crimes graves â como exploração infantil, terrorismo, incentivo ao suicĂdio ou automutilação. JĂĄ para casos como publicidade enganosa ou abusiva, a remoção sĂł acontece apĂłs uma notificação formal.
AlĂ©m disso, outro projeto em debate busca combater monopĂłlios no mundo digital e coibir prĂĄticas abusivas das chamadas big techs â empresas gigantes como Google, Meta, Amazon e outras.
âïž STF tambĂ©m na jogada… mas gera desconforto
Enquanto o Congresso empurra a discussĂŁo, o Supremo Tribunal Federal (STF) jĂĄ começou a analisar, desde novembro de 2024, se as plataformas podem ser responsabilizadas pelos conteĂșdos postados por usuĂĄrios. Esse julgamento segue em andamento e pode mudar as regras do jogo.
Mas nem todo mundo estĂĄ satisfeito com o protagonismo do STF. O presidente da CĂąmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), classificou como âum erroâ deixar o tema nas mĂŁos da Justiça. E disparou: âNĂŁo legislar tambĂ©m Ă© uma decisĂŁo. Talvez o Congresso entenda que esse nĂŁo Ă© o momentoâ.
đ° Big techs jogaram pesado contra
Na época em que o PL das Fake News quase foi votado, gigantes da tecnologia fizeram de tudo para barrar a proposta. Google e Meta lideraram um verdadeiro bombardeio de lobby. Segundo o próprio diretor do Google, Marcelo Oliveira Lacerda, a empresa gastou R$ 2 milhÔes numa campanha publicitåria contra o projeto.
O Google chegou a destacar, na pågina principal do buscador, um artigo contra a regulação. Além disso, representantes das empresas circularam pelos corredores da Cùmara na semana decisiva que antecedeu a retirada do texto da pauta.
Por enquanto, a novela segue sem final definido. Mas, com Lula disposto a retomar o embate, as redes sociais â e seus donos bilionĂĄrios â podem, sim, começar a perder o sossego.