🌍 Trump chega Ă  cĂșpula da Otan cobrando mais e prometendo menos

🌍 Trump chega Ă  cĂșpula da Otan cobrando mais e prometendo menos

Presidente dos EUA pressiona aliados por 5% do PIB em defesa e ameaça abandonar quem “não paga a conta”

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desembarcou nesta terça-feira (24) nos PaĂ­ses Baixos com um Ășnico objetivo em mente: fazer os aliados da Otan aumentarem, e muito, seus investimentos em defesa. O Air Force One pousou no aeroporto de Schiphol, e de lĂĄ Trump seguiu direto para o palĂĄcio Huis ten Bosch, onde participou de um jantar de gala oferecido pelo rei Willem-Alexander a lĂ­deres da aliança.

Logo na chegada, Trump jĂĄ lançou farpas: criticou publicamente a Espanha por se recusar a elevar os gastos com defesa para 5% do PIB, como ele exige de todos os paĂ­ses membros. O republicano chamou a resistĂȘncia espanhola de “injusta” e, mais uma vez, insinuou que os EUA podem nĂŁo socorrer paĂ­ses que nĂŁo cumpram sua parte. “Temos um problema com a Espanha”, afirmou no aviĂŁo presidencial. Segundo ele, nĂŁo Ă© justo que alguns contribuam e outros fiquem de braços cruzados.

A meta imposta por Trump representa mais que o dobro do atual compromisso firmado pelos paĂ­ses da Otan — que Ă© de investir 2% do PIB na ĂĄrea militar. SĂł no Ășltimo ano, os EUA foram responsĂĄveis por 62% de todos os gastos da aliança. O presidente quer ver essa balança mudar em atĂ© dez anos, com cada paĂ­s investindo 5%, sendo 3,5% em forças armadas e 1,5% em ĂĄreas como cibersegurança, fronteiras e infraestrutura crĂ­tica.

“Quem não paga, não pode cobrar proteção”

Durante conversa com jornalistas, Trump questionou atĂ© mesmo o comprometimento dos EUA com o famoso artigo 5 da Otan, que prevĂȘ a defesa mĂștua em caso de ataque a um dos membros. “Depende da sua definição”, desconversou. A fala foi vista como mais uma tentativa de pressionar aliados a abrirem o bolso.

Espanha, por exemplo, afirmou que vai atĂ© 2,1% — e sĂł. O primeiro-ministro Pedro SĂĄnchez, cercado por aliados polĂ­ticos contrĂĄrios ao aumento de gastos militares, avisou que nĂŁo pretende ultrapassar esse teto. Fontes prĂłximas garantem, no entanto, que a cĂșpula deve permitir alguma “flexibilidade” para o paĂ­s, embora oficialmente todos neguem exceçÔes.

UcrĂąnia entra em cena, mas fora do centro da mesa

Outro ponto quente da cĂșpula Ă© o apoio Ă  UcrĂąnia. O presidente Volodymyr Zelensky nĂŁo participarĂĄ da sessĂŁo principal para evitar embate com Trump, mas se encontrarĂĄ com ele em Haia nesta quarta-feira. Em evento paralelo, lĂ­deres europeus reafirmaram o compromisso com Kiev e anunciaram o 18Âș pacote de sançÔes contra a RĂșssia.

A presidente da ComissĂŁo Europeia, Ursula von der Leyen, celebrou o que chamou de “despertar da Europa da Defesa”, destacando os 800 bilhĂ”es de euros que serĂŁo investidos no setor nos prĂłximos anos. Zelensky, por sua vez, endossou a meta dos 5% e recebeu elogios pĂșblicos de lĂ­deres europeus.

Banquete à parte, o clima é de cobrança

Entre jantares de gala e trocas de mensagens com o secretĂĄrio-geral da Otan, Mark Rutte, Trump se esforça para transformar a aliança militar em algo mais parecido com uma parceria de negĂłcios: quem paga menos, tem menos direitos. Se a pressĂŁo surtirĂĄ efeito ou causarĂĄ rachaduras internas, ainda Ă© cedo para saber. Mas uma coisa Ă© certa: a cĂșpula de Haia jĂĄ começou com os Ăąnimos tensionados.

Compartilhe nas suas redes sociais
Categorias
Tags